Temporada 2027 da Osesp inova ao criar nove festivais inspirados em Nietzsche
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"O ser humano é uma corda, atada entre o animal e o além-do-homem —uma corda sobre um abismo". Na sentença de "Assim Falou Zaratustra", de Nietzsche , é possível também conceber cada um de nós como a corda de um instrumento musical, que reverbera em som ao se estender sobre a existência.
Para criar a temporada 2027 da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp , o diretor musical e regente titular Thierry Fischer escolheu livremente nove temas inspirados em discursos do "Zaratustra" para "concentrar a energia da orquestra e do público".
Esses nove temas serão festivais de três semanas, distribuídos ao longo do ano. Segundo Fischer, a elaboração da temporada partiu das questões conceituais na direção da eleição de autores e obras, e somente após esse processo prévio a equipe da orquestra iniciou a busca por cada regente e solista convidado.
Introduzida em 2012 com " Música em Tempos de Guerra e Paz", a proposta de associar temas às temporadas da Osesp perdurou ao longo dos treze anos em que Arthur Nestrovski foi o diretor artístico, sendo posteriormente abandonada. Com os festivais do ano que vem, ela volta aprofundada e repaginada.
"Nascido do Caos", em março, o primeiro tema, e "O Eterno Retorno", no final do ano, funcionam como pontos de partida e chegada. Tudo começa com "A Criação", de Haydn (dias 4, 5 e 6 de março), e termina com o "Messias", de Handel (16 a 18 de dezembro) —ambas as obras serão regidas por Fischer e terão uma direção cênica assinada por Gringo Cardia.
Como exemplo da estrutura simétrica da temporada, na segunda semana da temporada teremos a estreia de "Mithra", encomenda à talentosa compositora brasileira Juliana Ripke, seguida pela "Sétima" de Mahler. A correspondência estará no final do ano, quando ouviremos a "Sinfonia Nº 47" de Haydn, além do próprio poema sinfônico "Assim Falou Zaratustra", de Richard Strauss, e a "Oitava" de Mahler, conhecida como "Sinfonia dos Mil".
Entre os dois festivais extremos, os temas serão "Ressurreições" (abril), "Dançar com o Mundo" (maio), "Triunfo" (junho), "Torna-te quem És" (julho), "Paz" (agosto), "Sim à Vida" (setembro) e "Memória" (setembro-outubro).
Em abril será destaque o concerto dirigido por Heinz Holliger, um colaborador histórico da Osesp, e também a apresentação da integral dos concertos para piano de Beethoven em três dias consecutivos com regência e solo de piano de Kirill Gerstein. Em cada um dos dias, os diferentes concertos de Beethoven serão precedidos por "Alma", encomenda da Osesp à compositora Michele Agnes.
Haydn não está apenas no início e no fim da temporada, mas aparece como compositor a articular eixos que permeiam os festivais.
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