Quais são as alternativas ao Estreito de Hormuz?
Meses de bloqueios e incertezas em torno do Estreito de Hormuz levaram os exportadores de petróleo a buscar alternativas para contornar essa importante rota marítima.
Autoridades iranianas insistiram que a hidrovia permaneceria fechada e que as negociações não seriam retomadas a menos que os Estados Unidos cumprissem um acordo firmado em junho e oferecessem compensações a Teerã por supostas violações.
Mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , garantiu na segunda-feira (10) que a Marinha americana já controla o Estreito de Hormuz . "Nós removemos as minas de todo o estreito", disse a jornalistas na Casa Branca.
A estreita passagem marítima entre o Irã e Omã é uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. Antes da guerra com o Irã, cerca de 20% das exportações globais de petróleo bruto passavam pelo local, saindo do Golfo Pérsico em direção a mercados da Europa, Ásia e América do Norte.
Diante da interrupção prolongada, a Arábia Saudita demonstrou que consegue redirecionar volumes substanciais para longe do Estreito de Hormuz. Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, tiveram menos sucesso, apesar de contarem com portos e oleodutos projetados especificamente para essa finalidade.
A guerra entre Estados Unidos e Irã aumentou a importância das rotas alternativas pelo Mar Vermelho. A Arábia Saudita está enviando seu petróleo bruto por meio do Oleoduto Leste-Oeste, que liga os campos petrolíferos do leste do país ao porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho. Isso permite que o reino mantenha as exportações para os mercados globais sem passar por Hormuz.
Durante abril e maio, os embarques sauditas de petróleo a partir da costa do Golfo caíram de 47,5 milhões de toneladas no ano anterior para apenas 6,3 milhões de toneladas, segundo dados da plataforma PortWatch, do FMI (Fundo Monetário Internacional).
No mesmo período, as exportações pelo Mar Vermelho aumentaram de 29,6 milhões para 54,8 milhões de toneladas. O acréscimo de 25,2 milhões de toneladas compensou cerca de 61% do volume perdido no lado do Golfo Pérsico.
A mudança mostra que o Oleoduto Leste-Oeste não é apenas uma solução de emergência, mas também uma ferramenta importante para manter o fluxo do petróleo saudita durante um fechamento de Hormuz.
Os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram recentemente um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, mas o impacto da medida ainda não está claro.
Enquanto a Arábia Saudita trabalha para eliminar gargalos em seu sistema Leste-Oeste, seu vizinho oriental, os Emirados Árabes Unidos, avaliam ampliar a capacidade paralela ao ADCOP (Oleoduto de Abu Dhabi).
No papel, os Emirados Árabes Unidos parecem bem preparados. O ADCOP transporta petróleo bruto de Habshan, em Abu Dhabi, até Fujairah, no Golfo de Omã, fora do Estreito de Ormuz. Fujairah e o porto vizinho de Khor Fakkan também dispõem de importantes instalações portuárias de águas profundas na costa leste do país.
No entanto, embora esses portos estejam fora do Estreito de Hormuz, continuam suficientemente próximos do Irã para permanecerem vulneráveis a drones e mísseis.
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