Charleaux: Documento dos EUA sobre eleição no Brasil era 'balão de ensaio'
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O documento atribuído ao governo Donald Trump com exigências sobre as eleições no Brasil foi um "balão de ensaio", apurou o colunista João Paulo Charleaux no Pulso Político , do Canal UOL.
Vou juntar uma peça nesse quebra-cabeça que também falei com a minha fonte no Itamaraty. Qual o status desse documento de 21 pontos que os Estados Unidos apresentaram em outubro do ano passado nas negociações com o Brasil? Qual o nível de oficialidade desse papel?
E o que ele usou foi a expressão balão de ensaio. Ele considera que isso foi introduzido no documento, o vazamento não se deu através do Brasil, esse documento, segundo essa fonte, foi obtido com fontes americanas porque é um documento americano. Ele entende que ali foi um teste para ver a reação brasileira, o Brasil simplesmente ignorou o pedido. João Paulo Charleaux
O colunista destacou que os Estados Unidos suspenderam a lei Magnitsky logo após o documento ter sido apresentado extraoficialmente, o que demonstra que a pressão teria sido uma espécie de teste.
O Brasil simplesmente ignorou o pedido e uma prova disso interessante é que logo depois de ter sido apresentado esse documento, extraoficialmente, que não chegou sequer a compor a pauta da negociação oficial entre os chanceleres do Brasil e dos Estados Unidos, os Estados Unidos suspenderam a lei Magnitsky. Então ele usa essa informação como um atestado de que o Brasil não se dobrou à pressão e de que essa pressão foi um balão de ensaio, sequer chegou a ser levado a cabo. João Paulo Charleaux
O governo Trump exigiu, durante as negociações primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, que o país permitisse a participação de "dissidentes políticos" nas eleições presidenciais de 2026. Para Charleaux esse é um ponto de preocupação.
Mas eu quero citar aqui um cruzamento que eu acho que a gente tem que ficar de olho nele. É o cruzamento da expressão dissidentes políticos com respeito ao resultado das eleições livres e justas. Porque se existe alguém dentro do governo americano que introduz isso no documento, que chama os golpistas do 8 de janeiro de dissidentes políticos e que diz que vai reconhecer o resultado da eleição se ela for livre e justa, certamente essa pessoa não vai considerar que o resultado de uma eleição na qual o Jair Bolsonaro não tenha podido participar, ou o Eduardo Bolsonaro não tenha podido participar, seja uma eleição livre e justa. João Paulo Charleaux
O documento do governo Donald Trump com pedidos sobre eleições no Brasil "nasceu morto" ao chegar ao Itamaraty e foi rejeitado imediatamente, disse Daniela Lima . Segundo a apuração da colunista, o presidente Lula não teve contato com o texto.
Esse documento foi passado à diplomacia brasileira e, para o que disse minha fonte, "nasceu morto". Não chegou a ser entregue formalmente na reunião entre o Rubio e o Mauro Vieira, porque a reação da diplomacia brasileira foi: isso aqui é um absurdo. Tipo, não tome nem conhecimento. Daniela Lima
O Pulso Político vai ao ar de segunda a sexta, das 12h30 às 14h30, com apresentação de Daniela Lima.
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