Ex-número 3 da Polícia Federal é indiciado por lavagem de dinheiro e corrupção
A Polícia Federal indiciou o delegado Rodrigo Teixeira , ex-diretor administrativo do órgão, sob a suspeita de envolvimento em crimes de corrupção , lavagem de dinheiro e obstrução de investigação sobre organização criminosa.
A ação é um desdobramento da Operação Rejeito , que investiga supostas irregularidades ligadas ao setor de mineração no estado de Minas Gerais e na Agência Nacional de Mineração.
Além do ex-dirigente, outras nove pessoas foram indiciadas pelas autoridades. Entre os alvos do inquérito está uma delegada da Polícia Federal, suspeita de atuar para intimidar uma empresa concorrente dos negócios vinculados ao delegado.
O relatório policial aponta que Rodrigo Teixeira mantinha atuação oculta no mercado minerário enquanto ocupava cargos de chefia na corporação. O documento afirma que o investigado utilizava empresas interpostas e mantinha articulações diretas com empresários do setor.
A defesa do delegado contestou as conclusões e declarou que o relatório é "carente de substrato probatório" e omite depoimentos que afastariam as acusações. Em nota enviada pelo advogado Bruno Cesar, a defesa afirmou ainda que as alegações tratam-se de um "factoide" sem respaldo nos elementos colhidos durante a apuração.
O investigado ocupou a diretoria administrativa da Polícia Federal de janeiro de 2023 a março de 2025, posto considerado o terceiro na hierarquia do órgão. O delegado chegou a ser preso preventivamente em setembro de 2025, no momento da deflagração da operação policial.
As investigações também apontam ligações do delegado com pessoas ligadas ao meio político, incluindo o lobista Gilberto Horta Carvalho , que também foi preso e indiciado por lavagem de dinheiro. A reportagem não localizou os representantes legais de Carvalho.
A trajetória profissional de Rodrigo Teixeira inclui a superintendência da Polícia Federal no estado de Minas Gerais entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019, período em que comandou a fase inicial das apurações sobre o atentado a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em Juiz de Fora. Ele também atuou no governo estadual mineiro entre 2015 e 2018.
Segundo o laudo pericial anexado ao processo, o grupo obteve direitos minerários avaliados em mais de R$ 4 milhões , com potencial de retorno estimado em até R$ 27 milhões . Os investigadores afirmam que a participação do delegado ocorria como "sócio oculto" em troca de influência institucional e acesso a dados sigilosos.
A Operação Rejeito já havia indiciado em junho o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração, Mauro Sousa, por suspeita de integrar associação criminosa para exploração ilegal de minério na Serra do Curral. O dirigente nega qualquer envolvimento em práticas ilícitas.
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