Três a cada dez municípios brasileiros não possuem planos para enfrentar desastres climáticos
As projeções recentes para o El Niño 2026-2027, apresentadas pela revista Disaster Risk Science , indicam que o aumento da temperatura das águas tropicais do Pacífico deve ultrapassar 3°C, o que seria um novo recorde histórico.
O Brasil sente as consequências do efeito cascata gerado por esse aquecimento, que favorece secas severas, tempestades e altas temperaturas.
Esses efeitos podem ser catastróficos se as cidades não forem preparadas adequadamente para enfrentá-los.
Uma pesquisa publicada na Disaster Risk Science em setembro deste ano mostrou que pelo menos 30% dos municípios do Brasil não possuem qualquer plano de contingência para enfrentar esses desastres.
Os planos de contingência são documentos que definem procedimentos, ações e responsabilidades a serem adotadas caso ocorra alguma crise, desastre ou evento adverso.
Eles são elaborados pelos próprios municípios e têm como objetivo mitigar os impactos dessas catástrofes e garantir uma recuperação rápida.
Leia também: Quase 2 mil cidades enfrentam risco de desastres naturais, diz estudo O estudo mostra que 37% dos municípios brasileiros não dispõem de um sistema próprio de alerta para desastres.
No entanto, o Governo Brasileiro oferece a Interface de Divulgação de Alertas Públicos (Idap) uma ferramenta para manter a população informada em caso de desastres.
Dados sobre os planos de contingência e recursos tecnológicos (foto: Reprodução / Agência Fapesp) O sociólogo e pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e coordenador do estudo, Victor Marchezini, comentou à Agência Fapesp a importância dos próprios municípios terem um meio de contato e alerta com a população.
“Os municípios precisam ter capacidade para implementar seus próprios sistemas de alerta usando as informações já disponíveis.
São as administrações locais que sabem o que está acontecendo, conhecem os problemas dos bairros e deveriam ter contato com a população.
Às vezes, as pessoas recebem um alerta emitido pelo estado para procurar um lugar seguro e não sabem qual é.
Para ser efetivo, esse sistema tem de fazer sentido para as populações afetadas”, afirmou o sociólogo.
A pesquisa A pesquisa foi realizada no âmbito do projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE), financiado pela Fapesp.
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