Defesa de motorista de Porsche recua e dispensa testemunha-chave no júri
A defesa de Fernando Sastre, réu por matar um motorista de aplicativo após bater um Porsche 911 contra a traseira do carro da vítima, desistiu do depoimento da namorada do empresário, Giovanna Pinheiro.
O depoimento de Giovanna estava previsto como parte das testemunhas de defesa. A Justiça havia expedido um mandado de condução coercitiva para garantir seu comparecimento ao julgamento, iniciado hoje no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, mais de dois anos após a morte.
Com o andamento do júri, os advogados de Sastre abriram mão de ouvir Giovanna. Ela passou a acompanhar o julgamento na plateia.
Giovanna é considerada uma das principais testemunhas do processo. Ela estava com Fernando e outros amigos em um estabelecimento antes de o empresário assumir a direção do Porsche 911 que bateu na traseira do Renault Sandero conduzido pelo motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana.
Sastre responde por homicídio doloso qualificado e lesão corporal. O julgamento ocorre no plenário da 1ª Vara do Júri da Capital, sob a condução da juíza Melanie Liesenberg.
A Justiça manteve a prisão preventiva do empresário até o júri. O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) entendeu que não havia fato novo que justificasse a revogação da prisão. Sastre permanece detido em Potim, no interior do estado. Para participar do julgamento, foi transportado para a capital, onde aguarda o depoimento perante o conselho de sentença.
Em pedidos anteriores de liberdade, a defesa alegou que o empresário cumpriu medidas cautelares, não fugiu nem interferiu nas provas enquanto esteve solto. Os advogados também afirmaram que a empresa de Sastre perdeu 74% do faturamento. A juíza, porém, considerou que esses argumentos não afastavam os motivos para a manutenção da prisão. O último pedido de liberdade provisória foi negado em setembro.
Até o momento, quatro pessoas foram ouvidas no júri. Ainda estão previstos os depoimentos de outras nove testemunhas, além do interrogatório do réu. A expectativa é que o julgamento termine amanhã à noite.
Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no banco do passageiro do Porsche e sobreviveu à colisão, foi o primeiro a depor. Em seu relato, afirmou que Fernando bebeu na noite do acidente, consumindo drinques nos dois estabelecimentos em que estiveram.
Na sequência, foram ouvidos Lucas Silva, filho da vítima; Juliana Simões, que namorava Marcus à época; e Fernando Siqueira, bombeiro que atendeu à ocorrência.
Juliana também confirmou que Fernando bebeu antes de dirigir o Porsche. Ela prestou depoimento por videoconferência, pois se mudou para os Estados Unidos em junho.
A colisão ocorreu em março de 2024, na avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo. O impacto matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana e deixou Marcus Vinicius ferido.
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) acusa Sastre de dirigir embriagado e em alta velocidade. Segundo a perícia, o Porsche trafegava a 156 km/h momentos antes da batida, em um trecho com limite de velocidade de 50 km/h.
Sastre se entregou à polícia cerca de 40 horas após a colisão e está preso desde 1º de abril de 2024.
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