Exposição ao açúcar na infância aumenta risco de ansiedade na vida adulta, sugere estudo
Comer muitos doces na infância favorece o desenvolvimento de doenças como diabetes e pressão alta na vida adulta, mas o excesso de açúcar nessa fase também pode comprometer a saúde mental a longo prazo.
É o que sugere uma pesquisa da Universidade de Surrey, na Inglaterra, que analisou dados de mais de 45 000 participantes.
Os pesquisadores investigaram como a exposição ao açúcar durante janelas críticas de desenvolvimento influencia o risco de depressão e ansiedade, além das preferências por doces na vida adulta.
Segundo o estudo, o consumo de açúcar nos primeiros 1 000 dias de vida , período que vai da concepção aos dois anos, aumenta o risco de desenvolver ansiedade no futuro.
Além disso, quem ingeriu menos açúcar nessa fase da vida relatou também uma menor preferência por alimentos doces ao crescer .
“De modo geral, nossos resultados mostram que limitar a exposição ao açúcar durante os primeiros 1 000 dias de vida esteve associado a diferenças duradouras na preferência pelo sabor doce e em desfechos psiquiátricos “, afirma o estudo, publicado na revista científica Translational Psychiatry .
Continua após a publicidade Tanto a depressão quanto a ansiedade são transtornos multifatoriais , ligados a fatores biológicos, genéticos e ambientais.
Para os pesquisadores, os resultados ressaltam o “papel crítico da nutrição na formação da saúde e do comportamento humano”.
Como o estudo foi feito O estudo avaliou dados de 46.448 participantes do UK Biobank, o maior banco de dados públicos de saúde do Reino Unido, que eram nascidos entre 1951 e 1956 .
Nesse período, com rotas de abastecimento ameaçadas pela Segunda Guerra Mundial, o governo britânico adotou um sistema de racionamento de diversos alimentos de consumo cotidiano, incluindo o açúcar .
Continua após a publicidade A restrição se prolongou por anos após o fim do conflito e só terminou em setembro de 1953, quando o consumo médio de açúcar praticamente dobrou .
Na pesquisa, os participantes foram divididos em 5 grupos: Aqueles que sofreram racionamento de açúcar apenas no útero ; Aqueles que sofreram racionamento de açúcar no útero até os seis meses de gestação; Aqueles que sofreram racionamento de açúcar no útero até os 12 meses de idade; Aqueles que sofreram racionamento de açúcar no útero até os 18 meses de idade; Aqueles que sofreram racionamento de açúcar no útero até os 24 meses de idade.
Continua após a publicidade A análise também incluiu um grupo de participantes de idade semelhante nascidos imediatamente após o término do racionamento de açúcar no Reino Unido, e um outro grupo de crianças nascidas após o término de todo o racionamento de alimentos na Irlanda.
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