Manutenção e desenvolvimento da inteligência dependem de políticas públicas
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Entre as muitas injustiças que a loteria cósmica nos impõe está a repartição da inteligência. Existem os gênios e os parvos. Há um componente genético por trás da inteligência, mas a distribuição das altas habilidades tem muito de aleatório, ou, ao menos, envolve elementos ambientais que não compreendemos.
A divisão, porém, conserva algo de democrático, à medida que a genialidade se manifesta em pessoas de todas as classes sociais, e pode converter-se num ativo que beneficia toda a sociedade, já que indivíduos com alta capacidade cognitiva ajudam, de forma desproporcional, a puxar a produção científica e o desenvolvimento de um país.
O Brasil, com 214 milhões de habitantes , tem o seu quinhão de superdotados, mas desperdiça de modo pródigo esse valioso recurso. É disso que trata "Inteligência: O Ativo Estratégico que o Brasil Não Pode Desperdiçar", de João Batista Araujo e Oliveira. Vale destacar que João Batista, cuja carreira acompanho há décadas, é um pesquisador que sempre enfatizou a necessidade de basear métodos de educação em evidências e não em preferências. Se não pacificou a matéria, contribuiu para que a abordagem científica avançasse.
Voltando à inteligência, se seu surgimento tem algo de fortuito, sua manutenção e desenvolvimento dependem de políticas públicas, isto é, de um sistema escolar que identifique precocemente os estudantes com altas capacidades e seja capaz de fazer com que eles permaneçam interessados nos estudos e se tornem inovadores. Os números mostram que o Brasil fracassa nessa tarefa . Nas séries iniciais observamos uma proporção de alunos com desempenho acima da média que não fica muito distante da de outros países. Mas, à medida que avançamos nas etapas de ensino, eles vão minguando até quase desaparecer. Eu talvez exagere, mas só um pouco, se dissesse que o Brasil está matando a inteligência.
João Batista expõe o quadro com clareza, dá suporte técnico a suas afirmações, compara nossa situação com a de outros países e propõe soluções.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.