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Lula promete 'mudar o jeito de governar' e prega reconciliação; Flávio quer anular eleição

UOL Notícias ·
Lula promete 'mudar o jeito de governar' e prega reconciliação; Flávio quer anular eleição

No discurso da vitória das eleições presidenciais de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito com 51,79% dos votos neste domingo (25), disse que aprendeu "muitas lições" e vai 'mudar o jeito de governar' no seu quarto mandato. O petista salientou que será o presidente de 215 milhões de brasileiros. Seu adversário, Flávio Bolsonaro, não reconheceu o resultado da eleição.

"Eu não vou falar a palavra unidade nacional porque essa palavra nem sempre cabe nesse país, mas eu quero que vocês saibam: se depender de mim, esse país só tem que ser civilizado. Esse país tem uma Constituição", afirmou Lula, ao celebrar a reeleição, depois de uma virada histórica nas urnas.

Contrariando todas as pesquisas de intenções de voto, ele reverteu os resultados negativos do segundo turno, vencendo com uma vantagem de 4,3 milhões de votos em relação a Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o candidato bolsonarista teve 2,1 milhões a mais.

Foi a primeira vez na história da democracia brasileira que um candidato perdedor da primeira votação promove uma virada desta amplitude. Em um hotel em São Paulo, ele agradeceu à participação massiva dos eleitores no pleito, dos jovens aos idosos, e à mobilização nas ruas e na internet.

"Eu nunca ganhei eleição no meu primeiro turno, mas nunca perdi nenhuma no segundo turno", brincou o presidente, ao lado de caciques do PT e aliados.

Flávio Bolsonaro acompanhou a apuração em Brasília, onde sua campanha havia preparado uma festa da vitória. Após a divulgação dos números finais da votação, ele disse que "é impossível" atestar a lisura do pleito, alegando que a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de determinar a prorrogação do horário de votação por duas horas, devido a transtornos nos transportes de eleitores, significava "mudar as regras" do pleito.

"Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal", disse o candidato derrotado.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que durante a campanha foi acusado de favorecer Flávio, garantiu ter "absoluta segurança" de todo o processo eleitoral e parabenizou Lula pela "expressiva vitória nas urnas". Ele sublinhou que a extensão da votação até às 19h não interferiu no resultado final do pleito.

Em São Paulo, Lula salientou que "ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos, com base no respeito à Constituição". "Já tem gente falando: 'o Lula vai ter muita dificuldade para governar porque o Congresso está mais conservador'. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas", apontou o presidente.

A partir de janeiro, o petista vai encontrar um Congresso ainda mais hostil do que no atual mandato: o PL conquistou a maior bancada da Câmara e do Senado, com 121 deputados.

"Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, foi uma derrota da mentira", destacou o petista.

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