Governo da Bolívia diz que PCC e CV estão recrutando cidadãos locais
O ministro de Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, afirmou na última quarta-feira (16), na Assembleia Legislativa do país, que as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) estão recrutando bolivianos. Os dois grupos disputam região na fronteira para obter o controle de uma das rotas do tráfico internacional de drogas, entre a Bolívia e o Acre.
Oviedo fez a afirmação para justificar a ampliação do estado de exceção no país por mais 90 dias. Com isso, as Forças Armadas apoiam a polícia na segurança pública. "Essas organizações criminosas [PCC e CV] estão começando a recrutar compatriotas nossos", disse o ministro, segundo a agência de notícias EFE.
PF (Polícia Federal), DEA (agência norte-americana de combate a drogas) e União Europeia têm ajudado a Bolívia. Segundo o ministro de Estado, após informações compartilhadas, a fronteira do país com o Brasil foi reforçada com agentes "de elite", porque "os níveis de violência subiram".
Ministro diz ter a informação de que PCC e CV estão disputando um corredor de drogas próximo à fronteira com o Acre. O estado do Norte do país tem atualmente domínio do CV. Mas o PCC também é presente no local, aliado da organização criminosa local B13 (Bonde dos 13). Todos os municípios do Acre têm presença de facções .
O governo colombiano aponta que o PCC quer conquistar um território estratégico. "Está tentando tomar o controle do município de Santa Rosa del Abuná, em Pando, na fronteira com o Brasil, tomando posse de rodovias e cobrando pedágio pela passagem de mercadorias", afirmou o ministro Oviedo. O local atualmente é de domínio do CV.
Enquanto a fronteira entre Brasil e Bolívia tem predominância de membros do CV, a cidade de Santa Cruz de la Sierra se tornou base do PCC. Os bairros mais elitizados, segundo investigadores brasileiros, abrigam integrantes relevantes do PCC foragidos da Justiça brasileira. Estariam na cidade, por exemplo, André do Rap e Diego Amaral, o Didi, acusado de mandar matar o delator da facção Antonio Vinicius Lopes Gritzbach .
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