Regina e Gabriela Duarte: o que a conversa entre elas nos faz pensar
Assisti à entrevista que Regina Duarte e Gabriela Duarte concederam à Folha de S.Paulo, no contexto de A Filha da…, espetáculo que marca o reencontro das duas nos palcos depois de mais de 20 anos .
A conversa começou no teatro e chegou à passagem de Regina pela Secretaria Especial da Cultura no governo Jair Bolsonaro, às suas posições políticas, ao feminismo, à diversidade e ao chamado “politicamente correto”.
Dias depois, Gabriela classificou a abordagem do jornalista como “bastante deselegante”, embora tenha reconhecido que jornalistas podem e devem fazer perguntas difíceis.
Ela tem todo o direito de criticar a entrevista, sua condução e edição.
Jornalismo também deve estar sujeito à crítica.
Mas existe algo anterior a essa discussão: diante de um jornalista, salvo quando há um acordo prévio que delimite os assuntos, existe a possibilidade de perguntas incômodas.
Quem concede uma entrevista pode responder, recusar uma resposta, contestar a premissa da pergunta.
O desconforto, por si só, não torna uma pergunta ilegítima.
Sobretudo quando estamos diante de uma personalidade pública que ocupou um dos principais cargos da cultura brasileira.
Por isso, o que me interessa naquela conversa não é decidir se o jornalista foi gentil.
Interessa-me aquilo que as respostas de Regina colocam diante de nós.
Ao falar sobre Malu Mulher, série exibida entre 1979 e 1980 e fundamental para sua trajetória, Regina reconhece o quanto aquela personagem transformou sua maneira de pensar sobre autonomia feminina.
Ao mesmo tempo, demonstra incômodo com o feminismo contemporâneo e faz uma crítica ao “politicamente correto”.
É justamente nessa aparente contradição que encontro uma questão maior do que Regina Duarte.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.