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Em campanha pela reeleição, Lula quer trazer de volta os trabalhadores ao Partido dos Trabalhadores

UOL Notícias ·
Em campanha pela reeleição, Lula quer trazer de volta os trabalhadores ao Partido dos Trabalhadores

SÃO BERNARDO DO CAMPO, 16 Ago (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá início neste domingo à sua última campanha pela Presidência no exato local de onde liderou as greves que o lançaram na vida política nacional, mas com um novo desafio: conquistar uma geração de trabalhadores com pouca ligação com os sindicatos e o chão de fábrica, que já foram a espinha dorsal do seu Partido dos Trabalhadores (PT).

Aos ​80 anos e prestes a iniciar sua sétima campanha presidencial, Lula sabe que o movimento que liderou há quase 50 anos reunindo ​milhares de trabalhadores no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), para lutar pelos direitos dos trabalhadores, praticamente desapareceu.

Hoje, seu governo e seu partido enfrentam dificuldades para encontrar pontos em comum com uma geração de trabalhadores para a qual a estabilidade do emprego formal não é a norma -- e, em muitos casos, nem mesmo é desejada.

"Houve uma mudança substancial no mundo do trabalho", disse Lula em um dos muito discursos em que reconheceu essas dificuldades. "E nós, então, precisamos adequar o nosso discurso ao mundo do trabalho, que não é ​só a carteira profissional assinada."

Para a eleição de outubro, o PT tenta alcançar esses novos ⁠trabalhadores com uma campanha pela redução da jornada ​de trabalho com o fim da chamada escala 6 x 1 e buscando novas proteções para trabalhadores de aplicativos, incluindo regras sobre remuneração, condições de trabalho, benefícios previdenciários e algoritmos ⁠das plataformas.

A resistência das empresas tem impedido a maior parte desses esforços até agora, e milhões de trabalhadores de aplicativos, em sua maioria homens ​jovens, parecem céticos em relação à intervenção governamental. Esse é um grupo eleitoral que o principal rival de Lula pela Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está pronto para disputar.

No centro do dilema de Lula está o crescimento dos empregos fora do sistema formal de trabalho que garante aos trabalhadores uma série de direitos trabalhistas e benefícios previdenciários. Dados do IBGE mostram que, embora o número de pessoas ocupadas ‌no país tenha crescido, o emprego formal tornou-se menos comum.

Em dezembro de 2010, quando Lula concluiu seu ‌segundo mandato, a taxa de desemprego estava ​em 5,3% e 46,7% dos trabalhadores tinham empregos formais. Em dezembro de 2025, o desemprego havia caído para 5,1% -- o menor nível já registrado --, mas a proporção de trabalhadores no regime CLT havia caído para 38,2%.

Darlan Almeida, de 27 anos, já foi CLT, mas há sete anos trabalha fazendo entregas por aplicativos em São Bernardo do Campo, onde nasceu. Sua conta é simples: um emprego CLT lhe pagaria em torno de R$3 mil. Nos aplicativos, diz, ganha cerca de R$8 mil e fica com em torno de R$5,5 mil ‌depois das despesas com a moto.

Filho de nordestinos, Darlan conta que seu pai, que chegou à cidade durante o auge da industrialização do ABC Paulista, na década de 1970, era operário de uma fábrica e admirador de Lula até falecer.

"Ele contava que naquela época as fábricas andavam com carro nas ruas chamando as pessoas para trabalhar.

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