Dona da Serra Verde aposta em computação quântica para refinar terras raras
A USA Rare Earth, dona da Serra Verde, em Goiás, fechou uma parceria com a francesa Pasqal e a americana Riven Systems para tentar desenvolver novas tecnologias de separação de terras raras com o uso de computação quântica e inteligência artificial.
O projeto ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento e busca identificar novas moléculas extratantes capazes de separar os diferentes elementos de terras raras de forma mais eficiente do que as alternativas disponíveis atualmente.
Segundo as empresas, uma maior seletividade desses extratantes poderia reduzir o número de etapas necessárias durante o processamento, diminuindo a quantidade de equipamentos, o consumo de insumos e, consequentemente, os custos de implantação e operação das plantas.
Leia Mais MMG contesta objeções da UE à compra de ativos de níquel da Anglo no Brasil Conselho dos minerais críticos poderá acelerar licenciamento de projetos Política industrial ganha força na mineração e MDIC concentra novos poderes A separação é considerada uma das etapas mais complexas da cadeia de terras raras.
Após a mineração e o processamento inicial, os diferentes elementos ainda podem permanecer reunidos em produtos intermediários, como o carbonato misto de terras raras.
Para chegar a produtos de maior valor agregado, utilizados posteriormente pela indústria, é necessário separar esses elementos em produtos individuais, como óxidos de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
A própria USA Rare Earth afirma que esse é um dos principais gargalos enfrentados por empresas fora da Ásia.
Segundo a companhia, a China domina atualmente essa capacidade, principalmente no caso das terras raras pesadas, como disprósio e térbio.
Na parceria anunciada na quinta-feira (17), a Riven deverá realizar milhares de experimentos automatizados para gerar dados sobre o comportamento de diferentes extratantes.
Essas informações serão usadas para treinar modelos de inteligência artificial.
A Pasqal, por sua vez, utilizará seus computadores quânticos para comparar modelos de aprendizado de máquina quântico com modelos desenvolvidos a partir de computação convencional.
Na prática, a computação quântica não será utilizada diretamente dentro de uma planta de processamento.
O objetivo é usar a tecnologia como ferramenta para acelerar a descoberta de moléculas que possam tornar a separação das terras raras mais eficiente.
Os melhores candidatos identificados pelos modelos deverão posteriormente ser testados no laboratório automatizado da Riven e, em uma etapa seguinte, validados no centro de pesquisa e desenvolvimento da USA Rare Earth, em Wheat Ridge, no Colorado.
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