Esquerda e ultradireita lideram em eleições estaduais na Alemanha
Esquerda e ultradireita lideram em eleições estaduais na Alemanha - Resultados indicam votação recorde na sigla A Esquerda em Berlim, com a candidata carismática Elif Eralp. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, AfD aparece em primeiro lugar, mas governo de ultradireita é improvável.O partido A Esquerda e a legenda de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) obtiveram neste domingo (20/09) uma votação recorde nas eleições estaduais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, respectivamente, segundo resultados provisórios das autoridades locais.
Em Berlim, A Esquerda recebeu 25,3% dos votos, praticamente dobrando a votação obtida pela legenda no pleito estadual anterior. A sigla ficou na frente da conservadora União Democrata Cristã (CDU), que atualmente governa a cidade-estado em uma coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD).
Os resultados provisórios colocam a CDU em segundo lugar, com 19% dos votos, uma queda de nove pontos percentuais em relação à eleição estadual anterior em 2023. Já a AfD aparece em terceiro lugar, com 16,3%, um crescimento de sete pontos percentuais. O resultado da sigla anti-imigração ficou abaixo do previsto em pesquisas antes do pleito.
"Nosso programa venceu a eleição", disse a candidata da A Esquerda ao posto de prefeita de Berlim, Elif Eralp, à emissora pública ARD após a divulgação das primeiras projeções. "As berlinenses e os berlinenses me deram, nos deram, um mandato claro para governar a Prefeitura Vermelha."
Além de A Esquerda, da CDU e da AfD, outros dois partidos asseguraram cadeiras no Parlamento local de Berlim. Os Verdes obtiveram 14,4% dos votos, e o SPD, 12,1%. Esse foi o pior resultado dos social-democratas no estado.
Já a legenda de esquerda populista "antiwoke" Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW) obteve 4,8% dos votos, ficando abaixo da cláusula de barreira de 5% para garantir assentos no Parlamento.
Quase 2,5 milhões de pessoas estavam aptas a votar na capital federal da Alemanha. O tema dominante na campanha foi a crise habitacional e a expropriação das grandes empresas imobiliárias. Há cinco anos, os berlinenses apoiaram essa medida num referendo não vinculativo.
A Esquerda, com a carismática candidata Elif Eralp, fez uma campanha inspirada no prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Se o resultado se confirmar, Eralp deve buscar uma coalizão com os Verdes, que já declaram ser favoráveis à aliança, e com o SPD. A liderança do diretório estadual dos social-democratas se opõe, porém, aos planos de desapropriar as grandes empresas imobiliárias, o que pode dificultar as conversas.
Em entrevista após a divulgação dos primeiros resultados, Eralp ressaltou que a crise dos aluguéis é a maior questão social da cidade e defendeu, entre outras medidas, a regulamentação dos aluguéis e a expropriação de grandes empresas imobiliárias.
Caso o partido de Eralp consiga formar uma coalizão, essa seria a primeira vez que A Esquerda governaria a capital alemã. Aos 45 anos, Eralp é advogada, deputada e vice-presidente do diretório do A Esquerda em Berlim.
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