Dólar deixou o CDI ‘comendo poeira’ nos últimos 10 anos; entenda
Com o CDI pagando juros de dois dígitos , o investidor brasileiro encontrou poucos motivos para procurar outras alternativas de investimento.
Os títulos atrelados ao indicador entregaram retornos expressivos nos últimos anos e continuaram bastante atrativos, mesmo diante da queda da Selic .
Os números ajudam a explicar essa sensação de conforto.
Em 10 anos, uma aplicação que oferecesse 120% do CDI , por exemplo, teria acumulado rentabilidade de 171,1% , multiplicando o patrimônio inicial por aproximadamente 2,7 vezes.
Considerando que, no mesmo período, o Ibovespa acumulou retorno de 140,2% , esse investidor poderia facilmente concluir que fez um ótimo negócio.
Mas e se eu te dissesse que, no mesmo período, um investimento no S&P 500 poderia ter rendido três vezes mais do que uma aplicação a 120% do CDI ? Nos últimos 10 anos, o índice da bolsa norte-americana acumulou alta de 502,8% em reais .
Em outras palavras, enquanto muitos investidores brasileiros comemoravam os juros elevados da renda fixa, quem tinha parte do patrimônio exposta ao mercado americano encontrou uma oportunidade de retorno muito superior.
SAIBA MAIS: Como dolarizar parte dos seus investimentos para buscar retornos acima do CDI Mas o dólar não está perdendo o posto de ‘porto seguro’? Para quem já investe e acompanha o mercado, uma narrativa ganhou força nos últimos anos: a ideia de que o dólar poderia perder espaço no sistema financeiro internacional.
Nesse cenário, dolarizar uma parcela do patrimônio deixaria de fazer sentido.
Contudo, existe uma diferença entre discutir transformações graduais na economia global e ignorar o papel que a moeda americana continua desempenhando no mundo.
Segundo dados apresentados pelo BTG Pactual, 85% das trocas cambiais globais são feitas em dólar .
Além disso, 60% dos dólares americanos impressos são utilizados fora dos Estados Unidos.
E olhando para a economia brasileira podemos observar a importância que a moeda ainda exerce: boa parte das despesas domésticas são em dólar.
Commodities como café, trigo e petróleo, produtos que influenciam direta ou indiretamente o custo de vida, são cotadas na divisa norte-americana.
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