Brasil gastou R$ 1,16 trilhão com juros da dívida pública, diz estudo
Um estudo encomendado pelo Sistema CNA/Senar aponta a necessidade de mudanças nas regras fiscais brasileiras para garantir a sustentabilidade da dívida pública, ampliar a previsibilidade das contas do governo e criar condições para o aumento dos investimentos e do crescimento econômico.
O documento destaca que o pagamento de juros é apenas uma parte do problema.
Nos últimos 12 meses, o Brasil gastou R$ 1,16 trilhão com juros da dívida pública, segundo dados do BC (Banco Central) citados no estudo.
Segundo o estudo, apresentado nesta terça-feira (25), em São Paulo, o atual modelo de planejamento e execução do Orçamento engessa as políticas públicas e faz com que o aumento da arrecadação seja absorvido pelo crescimento automático das despesas.
O diagnóstico também aponta problemas como a rigidez orçamentária, a baixa qualidade dos gastos e a falta de credibilidade fiscal.
A avaliação é de que as regras fiscais atuais não são suficientes para garantir a estabilização da dívida .
O estudo mostra ainda que o cumprimento da meta fiscal, por si só, não significa necessariamente que a trajetória da dívida pública esteja sob controle.
Leia Mais Análise: Tesouro Nacional vê meta fiscal do país inalcançável até 2030 Gastos da União batem R$ 2,6 tri em 12 meses e encostam no pico da pandemia BC volta a incluir fiscal no balanço de riscos, diz especialista Outro ponto destacado é o peso das despesas obrigatórias no Orçamento.
Em 2025, as despesas pagas somaram R$ 2,3 trilhões, sem considerar encargos especiais.
Mais de 60% desse valor foi destinado às funções de Previdência Social e Assistência Social.
O estudo também chama atenção para as despesas que ficaram fora da meta fiscal.
Entre 2023 e 2026, foram registrados valores excluídos do cálculo, incluindo precatórios, medidas de apoio ao Rio Grande do Sul, recursos para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), defesa nacional e outras despesas.
Para 2026, a programação apresentada soma R$ 76,1 bilhões.
De acordo com o levantamento, o modelo atual também não produz previsibilidade e credibilidade suficientes.
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