Campanha de Lula defende reforma do Judiciário: 'Ninguém está acima da lei'
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse hoje que a campanha de Lula defende uma mudança "urgente" no sistema político e judicial do Brasil e que "ninguém está acima da lei", mas não citou os nomes dos ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Edinho é coordenador da campanha de Lula. Em vídeo divulgado no Instagram, ele afirmou que o sistema político-judicial do Brasil vive uma "profunda crise" e "apodreceu". Falando em nome da campanha do presidente, defendeu a criação de um código de ética para todo o Judiciário e Ministério Público.
"O povo brasileiro não suporta mais viver nesse sistema de corrupção e privilégios", disse Edinho. O presidente nacional do PT também defendeu o fim dos supersalários, da "farra" das emendas parlamentares e da "promiscuidade entre interesses públicos e privados".
A campanha do presidente Lula defende que é urgente mudar o sistema político-judicial no Brasil, que vive uma profunda crise, que protege poderosos, perpetua privilégios e a corrupção. O sistema apodreceu.
Ninguém está acima da lei, seja um cidadão comum, um governante, um parlamentar ou até um integrante do Poder Judiciário. O povo brasileiro não suporta mais viver nesse sistema de corrupção e privilégios. É preciso ter muita maturidade para liderar as mudanças que o Brasil precisa. É preciso ter compromisso histórico com a democracia. Edinho Silva
As declarações ocorreram após a divulgação de conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes . O relatório da Polícia Federal mostra que o banqueiro consultou o ministro do STF para saber se deveria sair do Brasil dois dias antes de ser preso. Também revela pedidos do empresário para tentar conter o avanço das investigações sobre o Master.
A postagem de Edinho SIlva está sendo disseminada nos meios de comunicação da campanha de Lula e foi uma alternativa a manter uma posição sobre a crise no STF sem associar nomes . A ideia é manter o presidente distante dessa confusão e evitar bater, oficialmente, tanto em Alexandre de Moraes quanto em André Mendonça.
Para não tratar especificamente da crise no Supremo, o presidente do PT fala em reformas, não só a do Judiciário, e sobre transparência e combate à corrupção. É uma tentativa de disputar um campo onde o petista está atrás dos bolsonaristas nas redes sociais: o de se colocar como uma candidatura antissistema.
Por outro lado, nomes do partido como o ex-ministro José Dirceu, que tenta um retorno à Câmara dos Deputados, já se posicionam sobre Mendonça. O petista pediu nas redes sociais que o relator do caso Master se considere impedido, uma vez que manteve encontro com o banqueiro no ano passado, como revelaram mensagens na mesma investigação da Polícia Federal que atinge Moraes. Ontem, antes das mensagens divulgadas sobre Mendonça, líderes do PT usaram a estratégia de pedir investigação e transparência sobre todo o caso, incluindo a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e os milhões recebidos pelo senador para, supostamente, financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Em 4 de novembro, Vorcaro perguntou o seguinte a Moraes: "médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?".
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