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Bolsonaro deu sinal de que tentaria golpe ao encher governo de militares, diz pesquisador

Folha de S.Paulo ·
Bolsonaro deu sinal de que tentaria golpe ao encher governo de militares, diz pesquisador

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Doutorando em política comparada na Universidade de Lisboa e repórter colaborador da Folha

[RESUMO] Pesquisa esmiúça a complexa interação de militares e civis na República brasileira, com especial destaque para o governo de Jair Bolsonaro, que representou uma retomada da militarização do Executivo após três décadas de recuo da participação fardada na política. Em entrevista, cientista político analisa os fatores que levaram a essa reversão, descreve o papel dos EUA nesse quadro turbulento e aconselha reformas para aperfeiçoar o convívio democrático com as Forças Armadas.

Em democracias maduras, presidentes e primeiros-ministros buscam maioria para governar negociando com os partidos no Legislativo. O Brasil, no entanto, tem uma peculiaridade.

Nossa República foi instaurada com um golpe militar, em 1889, e, desde então, as Forças Armadas sempre tiveram uma presença forte na política. Presidentes fracos e com tendências autoritárias, em épocas de refluxo dos partidos tradicionais, podem sucumbir à tentação de recorrer aos militares em busca de governabilidade.

Essa é uma das teses centrais do livro "Presidentialism and Civil-Military Relations", dos cientistas políticos Octavio Amorim Neto e Igor Acácio, lançado pela tradicional editora britânica Palgrave Macmillan.

A obra, ainda sem previsão de lançamento em português, esmiúça a complexa relação entre civis e militares no Brasil, com especial destaque para o governo de Jair Bolsonaro.

"Encher um governo democrático de militares é um sinal muito claro do que vai acontecer mais adiante —e aconteceu no Brasil", diz Amorim Neto, professor-titular da Fundação Getulio Vargas e pesquisador-visitante da Universidade de Lisboa.

Em entrevista recente à Folha , Carlos Baptista Junior , ex-comandante da Força Aérea Brasileira, contou que, no fim de 2022, Bolsonaro buscou convencer os comandantes das Forças Armadas a embarcar em um golpe para reverter a vitória de Lula (PT) nas eleições de outubro.

Bolsonaro chegou a ter 6.157 militares no Executivo, número superior ao da Presidência de João Figueiredo, último ditador do regime de 1964 .

Na conversa a seguir, Amorim Neto conta detalhes de sua pesquisa e analisa o cenário político brasileiro.

O livro mostra que Jair Bolsonaro chegou a ter 40% dos ministros oriundos da área militar. Por que decidiram estudar o tema e o que esses números significam? Há um grande debate acadêmico e político sobre militarização dos regimes democráticos. O termo militarização costuma ser usado de forma muito vaga, e nós resolvemos ser mais precisos.

Fala-se de militarização de políticas públicas, da polícia, da infraestrutura, do controle da imigração. Nós fizemos uma opção analítica, enfatizar a militarização do Executivo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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