UE começa a barrar carne brasileira a partir desta quinta
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não forneceu garantias suficientes de que suas exportações atendam aos padrões da UE destinados a prevenir o uso indevido de antimicrobianos na pecuária. "O Brasil não terá mais autorização para exportar para a União animais destinados à alimentação e produtos de origem animal destinados ao consumo humano", disse uma porta-voz da Comissão à agência de notícias AFP nesta segunda-feira (31/08).
A medida afeta produtos como aves, carne, ovos, mel, embutidos e peixes de origem brasileira destinados ao consumo humano. A União Europeia não informou um prazo para a possível retomada das importações.
A justificativa do bloco europeu é de que o uso indiscriminado de medicamentos em animais favoreça o surgimento de superbactérias resistentes aos antibióticos disponíveis. Antimicrobianos são substâncias que inibem microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Eles são usados para tratar e prevenir infecções em animais, mas em alguns casos também aumentam a produtividade ao favorecer o crescimento dos animais.
Em maio, o Brasil foi o único país do Mercosul excluído da lista da União Europeia de países que cumprem as normas relativas ao uso de antibióticos em animais. Argentina, Uruguai e Paraguai continuam podendo exportar produtos de origem animal para o bloco europeu, cujo acordo comercial com o Mercosul entrou em vigor, de forma provisória, no início de maio deste ano.
Uma auditoria dos setores avícola e de produção de mel no Brasil deve ser concluída nesta sexta-feira (04/09). Se os resultados forem positivos e os Estados-membros da UE concederem aprovação, as exportações brasileiras de aves para o bloco poderão ser retomadas em poucas semanas. As importações de carne bovina podem demorar mais tempo.
A Comissão afirmou que o prazo dependerá da rapidez com que o Brasil conseguir demonstrar o cumprimento dos requisitos da UE. "O Brasil é um parceiro importante para a UE e estamos trabalhando de forma estreita, construtiva e positiva com as autoridades brasileiras para garantir o cumprimento desses requisitos", disse a porta-voz da Comissão Europeia, o braço executivo do bloco.
"Assim que for comprovada a conformidade, as exportações para a UE poderão ser retomadas", complementou a fonte. O governo federal não se pronunciou sobre as afirmações da Comissão Europeia, mas, em maio, afirmou que agiria "rapidamente" para reverter a suspensão.
As regras da UE integram a agenda "Uma Só Saúde" ("One Health") do bloco para combater a resistência antimicrobiana e se aplicam aos produtores europeus desde 2022.
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