“Mais de 50% do Brasil é sustentado por mulheres”, destaca Ana Paula Padrão
Mais da metade dos lares brasileiros já conta com uma mulher como principal referência financeira.
Segundo dados da Pnad de 2026, 52,4% das casas no país estão nessa situação — um dado que serve de ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre gênero, dinheiro e cultura.
A discussão foi levantada por Ana Paula Padrão no programa “ Na Palma da Mari: Entre Mulheres” , da CNN Brasil , em episódio dedicado ao tema da independência financeira feminina.
“Nós somos as provedoras do Brasil hoje, não são mais eles, somos nós”, afirmou a jornalista e apresentadora Ana Paula Padrão durante a conversa.
Leia Mais Especialista analisa impactos da "dupla jornada" na carreira das mulheres Lula defende igualdade de gênero em cargos de gestão em evento com mulheres Mais de 30% das empreendedoras no Brasil estão na informalidade, diz estudo Cultura demora a acompanhar a realidade Para Ana Paula Padrão, mesmo diante de números tão expressivos, a percepção cultural ainda não acompanha essa transformação.
“Demora um tempo para que isso se reflita em cultura, para que isso se reflita em a gente parar de dizer que ele é o chefe do domicílio”, destacou.
Ela relatou ter realizado pesquisas em que mulheres, ao serem entrevistadas, declaravam o marido como chefe financeiro da casa — mas, na prática, eram elas as únicas com emprego formal e renda estável .
“O marido está fazendo um bico e a única pessoa empregada com carteira e botando dinheiro certinho dentro de casa é ela”, descreveu.
Socialização como obstáculo Ana Paula Padrão aponta a socialização como um dos principais fatores por trás dessa distorção.
Segundo ela, historicamente as mulheres são criadas para trabalhar na modéstia, enquanto os homens são incentivados à ambição.
“Tem uma coisa que vem da socialização, e o meu objeto de estudo é a socialização de mulheres ao longo da história, que nos faz trabalhar na modéstia e faz com que elas trabalhem na ambição”, explicou.
Essa dinâmica, na avaliação de Ana Paula Padrão, traz consequências duradouras.
Mesmo assumindo o papel de provedoras, muitas mulheres continuam sendo percebidas — e se percebendo — de forma subalterna.
“A gente está botando dinheiro dentro de casa, mas continuamos sendo vistas como submissas e em casa esperando o homem”, concluiu.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.