Liderança corporativa ainda opera com regras de um mundo que a IA já mudou
Há um descompasso silencioso dentro das organizações brasileiras que não aparece em nenhum dashboard.
Empresas trocaram sistemas, contrataram plataformas de IA, treinaram equipes em prompts e automações: uma reforma que levaria anos em outro ciclo histórico.
Leia também: Totvs aposta em um “sistema operacional de gestão” para ir além do ERP E, no entanto, muitas dessas mesmas empresas seguem sendo dirigidas por um modelo de liderança concebido para um mundo que já não existe.
Um relatório do Gartner publicado em junho mostra a extensão do problema: mais de sete em cada dez CEOs afirmam que o modelo operacional de TI não está preparado para a era da IA, e apenas 24% dos CIOs dizem que o modelo atual acompanha a velocidade que o negócio exige.
A maioria reconhece a necessidade de mudar.
Poucos se dizem estruturalmente prontos para isso.
Era um mundo que valorizava quem sabia mais.
Fazia sentido: a informação era escassa, as decisões amadureciam devagar e o gestor mais informado carregava vantagem sobre a equipe.
A hierarquia funcionava como filtro, e o conhecimento técnico concentrado no topo justificava a autoridade concentrada no topo.
Minha leitura é que a IA rompeu esse acordo em três frentes simultâneas.
Ela reduziu o custo e o tempo de acesso a certos dados, comprimiu o tempo de decisão numa velocidade que a hierarquia clássica não foi desenhada para acompanhar e distribuiu capacidade analítica para qualquer pessoa capaz de fazer uma boa pergunta.
Vale uma ressalva: a escassez de informação factual não desapareceu.
O que continua escasso, e talvez mais valioso, é informação confiável, contexto e conhecimento tácito.
O que mudou é mais preciso: a escassez de informação perdeu parte do seu poder como fonte de autoridade.
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