Livro provocativo debate futuro dos intelectuais em tempos de influencers
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Sociólogo e escritor, é professor do Departamento de Sociologia da Unicamp. Autor do livro "Os Escritores da Guerrilha Urbana: Literatura de Testemunho, Ambivalência e Transição Política (1977-1984)" (Annablume, 2008)
[RESUMO] Obra reúne artigos que discorrem sobre a formação da figura do intelectual, as transformações pelas quais passou ao longo da história, o destaque adquirido como debatedor público, as relações com políticos e figuras de poder e os impasses de sua atuação na era de redes sociais e da superficialidade movida a likes.
Quando o filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas morreu em março deste ano, aos 96 anos, os obituários publicados em diferentes mídias repetiram que perdíamos um dos maiores intelectuais do século 20 —e talvez o último representante desse seleto grupo de pensadores.
A importância de suas ideias foi reconhecida em circuitos especializados e alguns dos temas que tratou em suas obras, como a transformação da ideia de esfera pública burguesa, ganharam circulação mais ampla.
Se "o último" morreu, ainda faz sentido a ideia de ser intelectual? E o que significa ser um/uma intelectual público em nossos tempos?
Essas questões animam a coletânea "Intelectuais no Plural", organizada em boa hora pelos sociólogos Carlos Benedito Martins e Felipe Maia.
Investigar o papel dos intelectuais na vida pública e a reconfiguração de suas atividades em sociedades afetadas por mudanças sociais intensas e de debates quase instantâneos nos leva também, como apontam os organizadores, a recalibrar as formas de análise deste grupo social tão falado de diferentes maneiras e, ao mesmo tempo, tão desconhecido em suas motivações e razões de existir em diferentes contextos sociais.
Uma análise sociológica dos intelectuais, portanto, deve partir da pluralidade das diferentes sociedades em que eles atuam e dos variados papéis que historicamente assumem.
Esse grupo social é herdeiro de figuras muito antigas consideradas detentoras de conhecimento coletivo, como filósofos, narradores, griots e religiosos. No mundo burguês, elas se transformam em profissionais liberais interessados nos temas da vida pública, exercendo simultaneamente funções no direito, nas artes, na medicina, na engenharia ou em outras especialidades em universidades.
Por vezes, também exercem as atividades burocráticas do Estado moderno, construtores e construídos pelo poder e, por isso mesmo, culpados ou culpabilizados pelos sentidos que a sociedade pode assumir sob suas ideias, seus conselhos e suas ações.
Também neste mosaico podem ser vistos como figuras acessórias ou desnecessárias, apêndices do domínio de grupos mais poderosos.
Considerando também as injustiças e desigualdades, assumem a forma de figuras improváveis, surgidas das condições sociais mais desfavoráveis, em razão de racismo, sexismo e classe social.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.