PM vira ré por homicídio de mãe de cinco filhos na zona leste de São Paulo
A Justiça de São Paulo tornou ré a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, acusada de matar a auxiliar de limpeza Thawanna Salmázio durante uma abordagem policial em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, na madrugada de 3 de abril.
A soldado agora é ré por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público de São Paulo pediu a indenização mínima de R$ 1 milhão aos familiares de Thawanna. A informação foi divulgada pelo órgão.
Segundo a denúncia, Thawanna caminhava com o companheiro quando uma viatura passou pelo local e atingiu o braço dele. Após uma discussão, Yasmin atirou uma vez com uma arma de calibre .40 e atingiu o abdômen da mulher.
A Promotoria afirma que a auxiliar estava desarmada e que não havia situação para uso de força letal. A denúncia sustenta que ela permaneceu ferida por mais de 30 minutos antes de receber atendimento médico e agonizou em razão do ferimento. Ela morreu em decorrência das lesões, conforme o MPSP.
Para o órgão, a demora no atendimento da auxiliar contribuiu para a adição da qualificadora de meio cruel. Eles indicaram que Thawanna seguiu consciente e em sofrimento após ser baleada, "sem que a acusada adotasse providências para mitigar as consequências do disparo".
A reportagem tenta contato com a defesa de Yasmin. O texto será atualizado tão logo haja manifestação.
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo concluiu que a soldado teve intenção de matar e não agiu em legítima defesa. O relatório final foi enviado à Justiça Militar.
As imagens da câmera corporal de outro policial foram consideradas fundamentais para a apuração. Yasmin não usava o equipamento durante a ocorrência, registrada na rua Edimundo Audran.
A versão apresentada pela PM era de que Thawanna deu um tapa e avançou contra ela. Uma testemunha relatou que a discussão começou com os agentes e que Yasmin atirou sem dar ordem verbal.
O companheiro de Thawanna estava no local quando ela foi baleada. Ela foi levada ao Hospital Tiradentes, mas morreu. O atestado do Instituto Médico Legal apontou hemorragia interna aguda como causa da morte.
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