Advogado de Heleno é acusado de agredir mulher grávida; Justiça impõe medidas protetivas
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal determinou na quarta-feira, 12, que o advogado Matheus Mayer Milanez , que defendeu o general Augusto Heleno no julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) , cumpra medidas protetivas de urgência, após ele ser acusado de agredir a ex-companheira, que está grávida de dez semanas. A decisão proíbe que Milanez se aproxime a menos de 300 metros da vítima ou mantenha contato com ela por qualquer meio de comunicação.
Procurado, Milanez negou as agressões e afirmou que o relato "não corresponde à realidade dos fatos e é apresentado de forma fragmentada, sem o contexto que lhe dá sentido". Veja a nota na íntegra ao fim do texto .
A mulher relatou que o advogado a empurrou e exigiu que ela deixasse a casa durante uma discussão. Embora esta tenha sido a primeira vez que registou uma ocorrência de violência doméstica contra o marido, ela destacou que já foi agredida outras vezes.
Ainda de acordo com o relato, a mulher teria sofrido uma agressão durante uma discussão do casal em dezembro de 2025, voltando a ser agredida em junho deste ano. Apesar de não ter vestígios dessas duas agressões, a mulher afirmou que um dos episódios foi presenciado por uma amiga, e que possui fotos que foram feitas na época da segunda ocorrência.
Ela também declarou estar com "muito receio do que possa acontecer" e afirmou que o marido seria uma pessoa influente e usaria essa condição para deixá-la "ainda mais vulnerável".
Em nota, o escritório Vasconcelos Dias, responsável pela defesa da mulher, afirmou que ela "não escolheu tornar sua vida íntima uma discussão pública. Ela procurou os meios legais para pedir proteção".
"A exposição do caso tornou necessário este posicionamento, sobretudo para que a repercussão pública não apague a gravidade dos fatos por ela relatados e atualmente submetidos à apreciação das autoridades competentes", diz a nota.
Na decisão, o juiz Carlos Bismarck Piske de Azevedo Barbosa determinou o cumprimento de medidas protetivas "em face da gravidade dos fatos narrados e a fim de se evitar a ocorrência de novos desentendimentos entre as partes que culminem em violência doméstica em desfavor da vítima".
O magistrado negou outros pedidos feitos pela mulher, como o pagamento de pensão alimentícia, considerando não haver provas suficientes para avaliar a necessidade e possibilidade do pagamento, e a proibição de compra, venda ou locação da casa, por não haver provas da existência de bens comuns do casal.
Ele ainda negou a suspensão de procurações eventualmente concedidas ao advogado por falta de provas de que elas existam.
Matheus Milanez ficou conhecido após uma fala no primeiro dia de interrogatórios dos réus do "núcleo crucial" da trama golpista viralizar nas redes sociais. Na ocasião, Milanez pediu ao ministro Alexandre de Moraes um adiamento da sessão do dia seguinte para ter mais tempo para "minimamente jantar", nas palavras do advogado.
Em tom de brincadeira, Moraes respondeu que também gostaria de ir para casa e não autorizou o adiamento da sessão.
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