Carlos Prates tem que ser o próximo da fila pelo cinturão do UFC
O UFC já tem seu próximo desafiante nos meio-médios, ainda que a organização não tenha anunciado oficialmente: Carlos Prates. O brasileiro fez por merecer a oportunidade e, olhando para o momento da categoria, não vejo outro nome que reúna tantos argumentos para enfrentar Islam Makhachev pelo cinturão.
Prates construiu uma campanha praticamente irretocável desde que chegou ao UFC. Todas as suas vitórias aconteceram por nocaute e, em todas elas, o brasileiro ainda levou para casa o bônus de Performance da Noite. Não existe melhor maneira de chamar a atenção de uma organização que valoriza espetáculo: vencer, nocautear e ser recompensado pelo desempenho.
Mais do que os números, existe a maneira como Prates vem se apresentando. Ele se tornou um dos lutadores mais perigosos da divisão e carrega uma característica que pode ser determinante quando chegar a hora de enfrentar Makhachev: poder de nocaute.
A vitória do russo sobre Ian Machado Garry reforçou aquilo que já parecia evidente. Makhachev é o favorito contra qualquer adversário dos meio-médios. Seu jogo é completo, ele consegue controlar o ritmo da luta e tem recursos para levar o combate para onde quiser. Contra Prates, portanto, também seria o favorito.
Mas Prates tem algo que Garry não mostrou ter na mesma proporção: punch para mudar uma luta com um único golpe.
Makhachev pode ser tecnicamente superior e provavelmente terá mais caminhos para vencer. Pode tentar derrubar, controlar e trabalhar no chão. Pode fazer Prates lutar uma luta desconfortável. Só que existe um problema: enquanto estiver de pé, o brasileiro representa uma ameaça real de nocaute.
Prates não precisa ser melhor que Makhachev em todas as áreas. Precisa encontrar uma brecha, conectar um golpe e fazer o que já se tornou sua especialidade no UFC. Contra um lutador tão dominante quanto o russo, ter a capacidade de encerrar a luta a qualquer momento é uma vantagem que não pode ser ignorada.
Por isso, considero Prates um confronto especialmente interessante para Makhachev.
E há outro ponto que pesa a favor do brasileiro: o que acontece fora do octógono.
Michael Morales aparece como o outro nome forte na disputa pela próxima oportunidade. Esportivamente, ele tem argumentos e merece estar na conversa. Mas, em termos de popularidade e capacidade de gerar interesse em uma disputa de cinturão, Prates está à frente.
O brasileiro se tornou muito mais conhecido pelo público, tem personalidade, presença e uma trajetória que naturalmente gera interesse. E, para o UFC, isso importa. Uma disputa de título não é apenas uma questão de escolher quem tem o melhor cartel. É também escolher quem pode transformar aquela luta em um grande evento.
Ele entrega dentro do cage, com nocautes e bônus. E entrega fora dele, com personalidade e popularidade.
Por isso, entre Prates e Morales, não vejo muita dificuldade para escolher. Carlos Prates é o próximo da fila.
E se o adversário for mesmo Islam Makhachev, o brasileiro provavelmente entrará como azarão. O russo merece esse favoritismo. Mas favoritismo não significa invencibilidade, principalmente quando o adversário tem o poder de nocaute de Prates.
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