Houthis voltam a atacar a Arábia Saudita enquanto conflito se expande no Mar Vermelho
A guerra no Iêmen voltou a se intensificar, provocando uma escalada das tensões entre os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e a Arábia Saudita. Nesta quinta-feira (24), Riade afirmou ter interceptado seis mísseis balísticos lançados do território iemenita contra as regiões de Taif e Yanbu, no oeste do reino, em um novo episódio da deterioração da segurança na Península Arábica.
Pouco antes, as autoridades sauditas haviam emitido um alerta de "perigo potencial" para diversas regiões do país, incluindo Meca, a cidade mais sagrada do islã. O aviso, que também abrangia Taif, Jidá, Tabuk e Yanbu, foi suspenso minutos depois.
Segundo a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, criada em 2015 para apoiar o governo iemenita contra os houthis, os projéteis foram abatidos pelas defesas aéreas antes de atingirem seus alvos.
"As escaladas e violações da milícia terrorista houthi serão respondidas com firmeza", declarou o porta-voz da coalizão, Turki al-Maliki, em mensagem divulgada na rede social X.
Os houthis, que controlam a capital Sanaa e grande parte do norte do Iêmen, têm atacado o reino saudita desde julho, após anos de relativa calmaria no conflito.
A nova ofensiva está ligada à crescente importância estratégica do estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e constitui um elo essencial entre a Europa e a Ásia por meio do Canal de Suez.
Em setembro, os houthis assumiram o controle da costa iemenita do Mar Vermelho, consolidando seu domínio sobre a região do estreito. A hidrovia ganhou relevância desde que o Irã passou a restringir severamente a navegação pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, após o início da guerra regional desencadeada pelos confrontos envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
Além de garantir uma importante rota comercial internacional, Bab el-Mandeb é considerado vital para as exportações sauditas de petróleo.
A tensão aumentou na semana passada, quando a Arábia Saudita acusou os houthis de lançar um drone em direção a Meca. O aparelho teria sido interceptado antes de atingir a região, mas o movimento iemenita negou qualquer envolvimento no episódio.
Dias depois, a própria capital saudita, Riade, foi alvo de um ataque, pela primeira vez em vários anos.
Paralelamente, os houthis mantêm intensos combates no território iemenita contra as forças governamentais apoiadas pela aviação saudita. Os confrontos concentram-se principalmente nas áreas montanhosas que dominam o estreito de Bab el-Mandeb.
Segundo fontes militares citadas pela AFP, pelo menos 150 combatentes morreram nas últimas 24 horas. Entre eles, 98 integrantes das forças governamentais, muitos atingidos por ataques de mísseis e drones perto da fronteira saudita, e 52 combatentes houthis.
Desde o início de setembro, os confrontos também provocaram dezenas de mortes entre civis.
Diante da deterioração da situação, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com o impacto crescente da violência sobre a população civil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.