Reestruturação termina até 2028, afirma CEO da Hapvida
Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme
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Luccas Adib é o primeiro CEO da Hapvida sem o sobrenome Pinheiro, que sempre administrou a empresa de saúde suplementar . Formado em Direito, ele está há sete anos na companhia, onde também ocupou diretorias financeira e de tecnologia.
A escolha de Adib para comandar a Hapvida foi anunciada como opção por um perfil de liderança técnica.
Falando pela primeira vez à imprensa desde que assumiu o cargo, ele analisa que a consistência em entregar resultados positivos é a chave para recuperar a confiança do mercado. A Havida reportou queda de 95,8% no lucro líquido ajustado do 2º trimestre de 2026. O executivo espera que a reestruturação da empresa —ou "turnaround", no jargão corporativo— termine até 2028.
Seu nome foi anunciado como escolha de perfil técnico, em meio à crise, após anos de gestão familiar. Passados os primeiros meses no cargo, qual a diferença entre a expectativa e realidade dentro da Hapvida? Estamos fazendo agora um trabalho de montagem do time: nos primeiros dois, três meses do ano, fui estruturando a equipe. Montei um novo c-level. Não foi fácil, temos 120 mil pessoas para gerir. Também criamos uma cadeira de estratégia. Não tínhamos um trabalho de estratégia plurianual: montávamos um orçamento anual e perseguíamos esse orçamento. Agora, temos um olhar para o longo prazo.
Trocar a maior parte da gestão é sinalização de mudanças. Quais? A mudança em relação a onde queremos chegar é pequena. O que muda mais é o como, porque é isso que precisamos ajustar. A companhia tem uma fortaleza clara, que é oferecer acessibilidade em saúde. Muitas tecnologias novas precisam ser assimiladas e há muito espaço para trazer uma visão mais quantitativa para a tomada de decisão.
O mercado reagiu negativamente à última divulgação de resultados. Como o sr. entende essa recepção? Houve uma quebra de expectativa em relação ao consenso do mercado. O principal problema que tivemos foi o aumento da judicialização. As demais linhas do nosso resultado, como receita e custo, já estavam alinhadas com o que o mercado esperava, mas o nível de judicialização, maior do que o previsto, impactou negativamente o resultado da empresa. Como já vínhamos divulgando resultados que não satisfaziam o mercado, entramos numa espiral de frustrar as expectativas construídas em torno da companhia. Por isso, o trabalho agora é recuperar essa credibilidade, entregando resultados consistentes trimestre após trimestre —o que está ligado ao projeto de transformação que estamos conduzindo e que trará resultados em 2027.
Como espera reverter essa espiral de frustração? O mercado financeiro é muito importante para grandes companhias como a nossa. Dito isso, não há nada imediato que nos obrigue a acessar o mercado de capitais no curto ou no médio prazo, já que temos uma posição de caixa robusta. Nossas amortizações de dívida estão distribuídas ao longo dos próximos dois, três anos de forma confortável.
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