Flórida usa coelhos robôs para eliminar população de cobras e proteger bioma; veja o resultado
A Flórida encontrou um jeito inusitado de reforçar o combate às pítons-birmanesas: robôs em forma de coelho. Em 2025, o Distrito de Gerenciamento de Águas do Sul da Flórida e a Universidade da Flórida passaram a usar as iscas robóticas para atrair as cobras para fora de seus esconderijos.
Os coelhos-robôs são movidos a energia solar e foram feitos para imitar as presas das pítons. Eles produzem uma assinatura térmica e liberam um odor, já que as pítons dependem da percepção de calor e do olfato.
Cada robô tem uma câmera com inteligência artificial que monitora a área ao redor. Quando detecta uma píton se aproximando, o sistema avisa a equipe do distrito, que pode enviar ao local um agente treinado para remover o animal.
Os robôs estão sendo instalados em pontos do sul da Flórida, onde as pítons costumam se esconder. A ideia é monitorar áreas difíceis de vistoriar com os métodos convencionais. A tecnologia funciona como complemento do Desafio Anual da Píton e de outros programas de remoção, sem substituí-los.
As pítons-birmanesas chegaram aos Everglades na década de 1970 e se tornaram uma espécie invasora. Pesquisadores estimam que haja entre 100 mil e 300 mil delas nas regiões subtropicais do estado. Elas podem passar de 5,5 metros de comprimento, e as fêmeas adultas põem mais de 70 ovos em uma única ninhada.
Mamíferos, aves e répteis foram afetados, e a oferta de presas para espécies como a pantera-da-flórida, o lince-pardo e aves de rapina diminuiu. Um estudo do Serviço Geológico dos Estados Unidos, de 2012, apontou queda de quase 99% nas populações de guaxinins e gambás em partes dos Everglades após a disseminação das cobras.
Além dos robôs, a Flórida conta com empreiteiros treinados e com a participação do público. O Desafio Anual da Píton reúne caçadores profissionais e amadores durante 10 dias, e todos precisam fazer um curso de segurança antes de participar.
Na edição de 2026, 907 participantes de 30 estados americanos, além de Vietnã e Canadá, removeram juntos 280 pítons. O total geral da competição já passa de 1.600 serpentes.
Tom Rahill levou o prêmio principal, de US$ 10 mil, depois de capturar 96 cobras. Rahm Levinson ganhou US$ 1 mil pela maior píton, com 5 metros. Também houve prêmios nas categorias profissional, iniciante e militar.
Para o presidente da FWC, Rodney Barreto, o resultado é uma grande vitória para a vida selvagem nativa.
“O número de pítons invasoras removidas dos Everglades durante o Desafio da Píton da Flórida de 2026 é uma grande vitória para a vida selvagem nativa da Flórida e uma prova do que pode ser alcançado por meio de parcerias sólidas e participação pública”
Desde 2017, a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC) e os contratados do distrito removeram mais de 19 mil cobras. O programa de coelhos-robô entra como mais um método nessa frente de trabalho, com foco na parte mais difícil da tarefa: localizar as pítons.
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