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Alta no preço dos alimentos ameça inflação com projeção de El Niño forte

UOL Notícias ·
Alta no preço dos alimentos ameça inflação com projeção de El Niño forte

Estudo desenvolvido pelo Rabobank indica que o fenômeno climático El Niño pode elevar o preço dos alimentos in natura em até 19,9% no Brasil e causar um pico inflacionário no período de seis meses após os choques climáticos. Em caso de ocorrência de intensidade moderada, a estimativa do levantamento aponta para uma alta de 13,4% na mesma categoria. A variação da inflação da alimentação no domicílio avançaria 6,32% no cenário de evento forte e 2% no cenário moderado.

O modelo matemático da instituição financeira comparou a variação do Índice Oceânico Niño com a inflação dos alimentos consumidos em casa durante episódios das últimas décadas. Com base em dados divulgados em agosto pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a probabilidade de ocorrência de um El Niño forte atinge cerca de 80% até o fim do ano. A escala do órgão norte-americano classifica eventos com variação de temperatura do Oceano Pacífico superior a 0,5°C como moderados e acima de 1°C como fortes.

No cenário de intensidade moderada, o encarecimento dos itens in natura acrescentaria 0,36 ponto percentual ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Os alimentos semi-elaborados teriam alta de 0,27% e os industrializados subiriam 0,5%. Somados todos os segmentos, o impacto total sobre o IPCA alcançaria 0,41 ponto percentual.

Em um evento de maior força, a alta dos alimentos in natura pesará 0,53 ponto percentual na inflação oficial. Os produtos semi-elaborados registrariam avanço de 3,6%, gerando impacto de 0,20 ponto, enquanto os industrializados subiriam 1,4%, somando 0,11 ponto. O efeito consolidado resultaria em um acréscimo de 0,83 ponto percentual no índice geral.

Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, avalia que milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo, arroz e leite estão entre os principais itens suscetíveis a variações de preço. Hortaliças reagem primeiro devido ao ciclo de produção curto, enquanto produtos semi-elaborados e industrializados sofrem repasses graduais decorrentes do custo de insumos, embalagem e transporte.

A distribuição do impacto do evento climático varia entre as regiões metropolitanas brasileiras. Os maiores aumentos imediatos concentram-se em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém. Em Salvador e Recife, a transferência de custos ocorre de forma mais lenta.

Análises do Instituto Nacional de Meteorologia projetam prejuízos para a pecuária nas regiões Centro-Oeste e Norte em razão da estiagem nas pastagens. Por outro lado, a estiagem no Nordeste favorece a colheita do feijão, enquanto volumes de chuva acima da média beneficiam culturas de inverno no Sul.

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