Médico é condenado por ações para 'tribunal do crime' do PCC
O médico Alexandre Pedroso Ribeiro e mais dois outros homens foram condenados a mais de 20 anos de prisão pela morte de Gilianderson dos Santos, que foi executado a tiros dentro de um hospital em Guarujá, no litoral paulista, em 2022.
Trio foi condenado pelo júri popular de Guarujá. Todos foram condenados por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme informou o TJ-SP ao UOL .
Ribeiro foi condenado a 20 anos e cinco meses de prisão, além de 16 dias-multa. Ele é acusado de ter facilitado o crime ao conduzir a vítima até a saída de emergência, onde os assassinos estavam o aguardando.
Sandro Vieira Conceição, o atirador, recebeu pena de 22 anos, quatro meses e 24 dias, também com 16 dias-multa. Conhecido como "Patinho", ele fez os disparos contra a vítima, e vai cumprir a pena em regime inicial fechado.
Vitor Hugo Assunção foi condenado a 23 anos e 14 dias de prisão, além de 16 dias-multa. Conhecido como "Pikachu", ele dirigia a moto que levou Sandro ao hospital e fugiu com ele após a execução. A pena foi mais alta porque ele tentou fugir da prisão e fez ameaças a policiais.
Caso aconteceu em 24 de abril de 2022. Gilianderson foi executado a tiros dentro do Hospital Santo Amaro, onde estava para receber atendimento após ter sofrido outro atentado dias antes, segundo informações apuradas pela coluna de Josmar Jozino, do UOL.
Execução teria sido ordenada pelo "tribunal do crime" do PCC. Conforme apurou a coluna de Josmar Jozino, o médico atuou como parte determinante da execução, ao agilizar a alta do paciente e facilitar a entrada dos assassinos na unidade de traumas, onde a vítima foi alvejada.
Ribeiro foi preso em maio de 2022 pela participação no assassinato, mas foi solto em 2023. Ortopedista ficou detido na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau (SP), e saiu após a Justiça considerar que ele estaria acometido por enfermidade grave, sob a necessidade de tratamento medicamentoso e psicoterápico. Na época, a defesa alegou que ele era dependente químico desde 2018.
Promotoria recorreu da soltura. Na avaliação do MP, o médico fazia parte do PCC e atuava com o tribunal do crime da facção, segundo informações da coluna do Josmar Jozino.
Antes da condenação pela execução, Alexandre já respondia por tráfico de drogas. A Justiça aceitou, em 2021, a denúncia do Ministério Público contra o médico pela posse de 63 kg de cocaína, avaliados em R$ 7,5 milhões, apreendidos em uma casa no condomínio Jardim Acapulco, no Guarujá.
Ao UOL, defesa de Ribeiro afirmou que vai recorrer da sentença. "A defesa do réu Alexandre Pedroso Ribeiro entende que a sentença do Conselho de Sentença é manifestamente contrária à prova dos autos e interporá o competente recurso de apelação".
Não foi possível localizar a defesa dos demais réus. Como o processo tramita em segredo de justiça e a reportagem não conseguiu acesso aos autos, não foi possível identificar os advogados de Conceição e Assunção. O espaço segue aberto para manifestações.
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