Doação de órgãos no Setembro Verde: a importância da conversa em vida
A campanha do Setembro Verde reforça a importância da conscientização sobre a doação de órgãos no país. Para muitas famílias que enfrentam a perda inesperada de um ente querido, a autorização da doação torna-se uma maneira de ressignificar a dor da despedida.
Dentro do Hospital Universitário Cajuru , que realiza atendimento 100% via Sistema Único de Saúde ( SUS ), o processo é coordenado pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) . As equipes atuam em busca ativa em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), emergência e centro cirúrgico.
“A CIHDOTT é responsável por organizar e acompanhar o processo de doação dentro do hospital. Além de identificar potenciais doadores, acompanhamos o protocolo de morte encefálica, acolhemos a família e fazemos a articulação com a Central de Transplantes e as equipes envolvidas na captação”
Os indicadores do Hospital Universitário Cajuru demonstram como a abordagem humanizada reflete na adesão das famílias . Em 2025, a instituição contabilizou 40 notificações de potenciais doadores, das quais 34 avançaram para entrevista familiar, gerando 29 autorizações ( taxa de conversão de 85% ).
Em 2026, os registros apontam 27 notificações, 22 entrevistas e 14 autorizações concedidas até o momento. Os números comprovam que a segurança transmitida pela equipe de saúde no momento da abordagem é determinante para o sim das famílias.
A experiência de transformar o luto em um ato de solidariedade inspira novas abordagens sobre o tema.
Quando Michele Costa, de 43 anos, recebeu a notícia de que o pai, Carlos Antônio Costa, de 66 anos, havia morrido após um AVC, a família precisou enfrentar uma decisão difícil em meio ao luto: autorizar ou não a doação de órgãos. A resposta foi encontrada nas lembranças sobre a vida de Carlos e na generosidade que sempre marcou sua relação com as pessoas.
“Num momento de muita dor, nós vimos uma possibilidade de encontrar esperança, pois o meu pai gostava de estar sempre ajudando o próximo. E, nesse momento, nós pensamos que, antes de partir, ele ainda estava fazendo mais um gesto de generosidade”
Para a costureira Aparecida Nunes de Lima, o suporte profissional foi fundamental para consentir com a doação de órgãos do filho Juan, lembrando da índole prestativa que ele manteve em vida.
“Foi um momento de muita dor e tristeza, mas, ao saber que, com sua partida, ele poderia ajudar várias pessoas a viver, eu não tive dúvidas de dizer sim. E, certamente, era o que ele gostaria, porque a vida dele sempre foi ajudar outras pessoas”
A inspiração gerada por esse gesto também motivou a professora de musicalização infantil, cantora e compositora Michele Costa a criar a canção “Legado do Amor” , homenageando a memória do pai e a continuidade da vida por meio dos receptores beneficiados pelos transplantes.
“O processo de doação de órgãos fez a gente ressignificar o nosso luto. E por isso eu compus a música “Legado do Amor”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.