Debates que ninguém queria agora podem decidir eleição
Flávio Bolsonaro e Lula medem forças dentro da margem de erro das pesquisas. O desafiante claudica. O candidato à reeleição procura brechas para virar o jogo. Os debates, desprezados por ambos no primeiro turno, tornaram-se vitais. Na última semana, Band e Globo exibirão o espetáculo do contraditório — primeiro neste domingo, depois na sexta-feira anterior à votação.
Espera-se que os candidatos compareçam munidos de meio quilo de projetos. Até aqui, há poucas ideias e muita confusão. O desarranjo é tamanho que Lula, após quase duas décadas de poder petista, se diz antissistema. O filho de Bolsonaro decreta que "a era do PT chegou ao fim". Oferece a mudança prometendo conservar todas as logomarcas sociais do petismo.
Aquilo que parecia dispensável quando havia cinco candidatos virou obrigatório quando restaram dois. Eliminaram-se as desculpas. Não há adversários para fazer o serviço sujo, nem aliados para servir de escudo. Lula terá de explicar por que merece mais quatro anos. Flávio terá de esclarecer o que oferece além da anistia do pai.
Certos debates terminam quando as luzes do estúdio se apagam. A fricção de 2026 tende a se prolongar até a urna eletrônica. Uma tirada bem articulada pode ganhar as redes. Uma hesitação pode virar manchete. Um detalhe pode eleger o próximo presidente.
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