Restrições à educação das mulheres no Afeganistão devem enfraquecer ainda mais qualidade do ensino, diz Unesco
PARIS, 11 Ago (Reuters) - As restrições impostas às mulheres que buscam o ensino superior no Afeganistão devem agravar a escassez de professoras, prejudicando ainda mais a qualidade da educação em um país onde milhões de crianças já não têm acesso à escola, afirmou a Unesco.
Cinco anos após o retorno do Taliban ao poder, cerca de 2,4 milhões de meninas no Afeganistão não têm acesso ao ensino médio, enquanto mais de 2 milhões de crianças em idade escolar não frequentam a escola primária, informou a agência de educação da ONU.
As mulheres estão proibidas de frequentar universidades desde dezembro de 2022, revertendo quase duas décadas de avanços na educação de meninas, e estão impedidas de lecionar para meninos.
A Unesco estima que o Afeganistão terá um déficit de mais de 11 mil professoras qualificadas até 2030.
“Muitas professoras deixaram o país... e aquelas que estavam no sistema estão proibidas de continuar lecionando”, afirmou Hoda Jaberian, coordenadora do programa da Unesco para educação em situações de emergência, em uma coletiva.
“Essa decisão de proibir as mulheres de darem aulas para meninos não só, é claro, retirou um número substancial de professoras e educadoras qualificadas do sistema educacional, mas também resultou em meninos sendo ensinados por professores homens não qualificados”, acrescentou Jaberian. “Ficamos com professores homens não qualificados ou sem professores.”
A Unesco informou que mais de 90% das crianças de 10 anos não conseguem ler um texto simples, com taxas nacionais de alfabetização de 37%.
Muitas escolas estão superlotadas e mal equipadas. Quase metade das escolas carece de água, saneamento ou aquecimento, informou a Unesco.
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