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Suecos vão às urnas em disputa apertada entre direita e social-democratas

UOL Notícias ·
Suecos vão às urnas em disputa apertada entre direita e social-democratas

Os suecos vão às urnas neste domingo (13) para renovar o Parlamento em uma eleição legislativa considerada uma das mais disputadas dos últimos anos. O pleito opõe principalmente a coalizão de direita do atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, à aliança de centro-esquerda liderada pela social-democrata Magdalena Andersson, que tenta voltar ao comando do governo.

As 6.264 seções eleitorais abriram às 8h da manhã, horário local. Além da escolha dos deputados, os eleitores também votam para as assembleias regionais e os conselhos municipais. Em Estocolmo, filas se formaram diante dos locais de votação, embora mais de 3,5 milhões de pessoas já tenham votado antecipadamente, um número superior ao registrado nas eleições de 2022.

As pesquisas de opinião apontam vantagem para a oposição de centro-esquerda. No entanto, uma eventual vitória não garante automaticamente a formação de um governo. Segundo Marius Perrin, pesquisador do Centro de Estudos Europeus da Sciences Po Paris, o principal desafio será unir forças políticas com visões econômicas bastante divergentes.

"Costuma-se esquecer que não existe uma maioria de esquerda na Suécia desde as eleições de 2002. Os social-democratas governaram entre 2014 e 2022, mas sempre em situação minoritária. Se a oposição vencer, a questão será saber se conseguirá formar uma maioria parlamentar", explica Perrin.

A aliança oposicionista reúne quatro partidos. Três deles pertencem ao campo da esquerda, mas também inclui o Partido do Centro, progressista em temas sociais, porém liberal e mais próximo da direita em questões econômicas. Essa composição heterogênea pode dificultar a construção de uma coalizão estável.

Segundo analistas, a entrada formal dos Democratas da Suécia no governo representaria uma mudança histórica no cenário político sueco. Desde sua chegada ao Parlamento, em 2010, o partido foi amplamente isolado pelas demais forças políticas. A legenda também voltou a adotar um discurso mais radical durante a campanha eleitoral, especialmente sobre imigração.

Apesar da forte presença das questões identitárias e de segurança na campanha, pesquisas indicam que as principais preocupações dos eleitores são a saúde e a educação. O aumento das dificuldades enfrentadas pelos hospitais e escolas recolocou no centro do debate o futuro do Estado de bem-estar social sueco.

No sistema de saúde, profissionais denunciam falta de recursos e escassez de mão de obra. Segundo a Associação Sueca dos Profissionais da Saúde, mais de um terço dos trabalhadores do setor atua em regime de meio período para conseguir suportar as condições de trabalho.

Na educação, as críticas se concentram nas salas de aula superlotadas e no modelo de escolas independentes financiadas com recursos públicos, mas muitas vezes administradas por empresas privadas. Em um país que abriu amplamente seus serviços ao mercado desde os anos 1990, cresce a demanda para que o Estado reassuma um papel mais forte na garantia dos serviços públicos essenciais.

Os resultados devem começar a ser conhecidos após o fechamento das urnas, no início da noite deste domingo.

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