O dia em que a rainha Elizabeth II inaugurou a primeira usina nuclear comercial do mundo e iniciou a Era Atômica do Reino Unido
Há exatos 70 anos, em 17 de outubro de 1956, a rainha Elizabeth II, do Reino Unido , acionou os sistemas da usina de Calder Hall, em Sellafield, no condado de Cumbria, Inglaterra , inaugurando a primeira central atômica comercial do mundo.
A imensa usina nuclear já se encontrava em plena fase de construção no momento em que a jovem monarca assumiu o trono britânico, em 1953, simbolizando a grande virada científica do pós-guerra no país.
A central nuclear de Calder Hall, primeira usina nuclear comercial do mundo. – Crédito: Wikimedia / Domínio Público Usina nuclear aliou geração de energia elétrica a fins militares A inovadora instalação britânica operava com o reator do tipo Magnox, um equipamento resfriado a gás e abastecido com urânio metálico natural.
Com capacidade geradora de 60 megawatts, a usina não servia apenas para fornecer eletricidade às cidades, mas também produzia plutônio voltado ao programa de defesa nacional do Reino Unido.
Em entrevista ao Olhar Digital , o professor Thiago Maia, físico, engenheiro nuclear, pesquisador e criador do canal Ciência Sem Fronteiras no YouTube, detalhou esse duplo funcionamento.
“A Calder Hall foi a primeira usina nuclear a produzir eletricidade em escala comercial, mas também tinha finalidade militar.
Seus reatores produziam plutônio-239, material utilizado na fabricação de armas nucleares britânicas durante a Guerra Fria.” O especialista ressalta que, enquanto o calor da fissão gerava eletricidade, o plutônio formado no combustível podia ser posteriormente separado para uso militar, de modo que Calder Hall representava simultaneamente um avanço na geração de energia e um instrumento estratégico do programa nuclear britânico.
De acordo com a Sociedade Nuclear Americana (ANS), o interesse da família real pelas profundas inovações científicas permaneceu vivo nos anos seguintes.
Em 1957, Elizabeth II e o príncipe Philip visitaram o Centro de Pesquisa em Harwell para conhecer a ZETA, uma máquina de fusão atômica cujos manipuladores remotos e robóticos roubaram a cena durante as demonstrações ao vivo.
Sala de controle do Calder Hall durante os anos de operação da instalação. – Crédito: Sellafield Ltd e Autoridade Britânica de Descomissionamento Nuclear Décadas mais tarde, em abril de 1984, a rainha voltou a ser destaque no cenário científico ao inaugurar o Toro Europeu Conjunto (JET), o maior projeto de fusão nuclear do mundo, em Culham.
A cerimônia, que contou com o presidente francês François Mitterrand, ficou registrada em vídeos embalados pelas marcantes trilhas sonoras de sintetizador da época.
Diante dos ilustres convidados internacionais, Elizabeth II destacou que a fusão nuclear representava um passo decisivo em direção a uma fonte de energia limpa e inesgotável.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em olhardigital.com.br — o conteúdo pertence a Olhar Digital.