Você tem consciência do que está sendo decidido na eleição presidencial?
Para o Acre, qual é a melhor escolha no debate presidencial neste momento: um governo federal de perfil liberal e subordinado aos Estados Unidos, que priorize o corte de gastos públicos, ou um governo de perfil desenvolvimentista e desvinculado das superpotências que disputam o controle geopolítico do mundo? Acredito que um governo desenvolvimentista seja melhor, tanto para a economia e o desenvolvimento quanto para atender às necessidades de uma população majoritariamente pobre e dependente de programas sociais e de políticas públicas, como saúde e educação.
Veja, um dos maiores desafios do país é reduzir as desigualdades regionais, aproximando regiões de menor desenvolvimento, como o Norte e o Nordeste, do Centro-Sul.
Esse é, inclusive, um princípio fundamental do Estado brasileiro e uma diretriz estratégica da gestão pública e da ordem econômica, previstas na Constituição de 1988.
Governos liberais de direita ignoram essa atribuição.
Acreditam que o crescimento das regiões periféricas acontecerá por obra do mercado.
Ou seja, caso Flávio Bolsonaro seja eleito não haverá investimentos voltados ao desenvolvimento de estados como o Acre.
Outro ponto fundamental é que a eleição de um Bolsonaro poderá colocar o Brasil em posição de subordinação aos interesses dos Estados Unidos na disputa com a China.
Para o Acre, isso significaria a perda de uma das mais importantes oportunidades estratégicas surgidas em muitas décadas.
Explico.
A China tem investido na construção de uma grande estrutura logística mundo afora, a chamada Nova Rota da Seda, ou Cinturão e Rota, no jargão chinês.
Aqui na América do Sul, os chineses construíram um megaprojeto portuário no Peru: o porto de Chancay.
Agora, pretendem estabelecer uma ligação permanente e estável entre o mercado brasileiro e o porto peruano.
Segundo as negociações em curso entre os governos do Brasil, da China e do Peru, a rota considerada passa pelo Acre, evitando a Bolívia, conhecida por sua instabilidade institucional.
O fato é que, na eventualidade de um governo de direita, anti-China e incondicionalmente alinhado aos interesses americanos, adeus ferrovia para Chancay.
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