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Efeito “bomba atômica” da IA: mundo volta a tratar uma tecnologia como ameaça à paz mundial após mais de 80 anos

Olhar Digital ·
Efeito “bomba atômica” da IA: mundo volta a tratar uma tecnologia como ameaça à paz mundial após mais de 80 anos

Representantes de 193 países estão reunidos em Nova York, nos EUA, para a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) , iniciada na terça-feira (22), com o objetivo de discutir os rumos da segurança global, especialmente diante das ameaças e desafios impostos pelo avanço desenfreado da inteligência artificial (IA).

Em participação no programa Olhar Digital News (que você pode assistir na íntegra aqui ), Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), neurocientista, futurista e colunista do Olhar Digital , disse que é a primeira vez em 80 anos que uma inovação tecnológica volta a ser encarada com o mesmo nível de alerta atribuído ao surgimento das armas nucleares na década de 1940.

Lula durante discurso na Assembleia Geral da ONU de 2026. – Crédito: Reprodução/ONU Ao analisar a presença de executivos no Conselho de Segurança, ele destacou como a tecnologia passou a ser vista como um ator geopolítico independente nas discussões diplomáticas.

“Quando o Conselho de Segurança convoca uma reunião sobre IA, ele está dizendo que essa coisa, esse ente que existe sem bandeira, sem exército, sem território, pode ameaçar a paz.

A última grande categoria comparável em algum nível foi a energia nuclear, e a gente tem aqui 80 anos nos separando da bomba atômica”.

Decisões autônomas diferenciam riscos da IA e das armas nucleares Há, no entanto, uma diferença marcante no atual debate sobre segurança militar mundial.

No caso das bombas atômicas, o temor sempre foi a decisão humana de apertar o botão.

Já com os novos sistemas virtuais, existe a tese de uma ameaça que pode agir por conta própria.

Dias destaca a diferença fundamental entre os arsenais do passado e as incertezas trazidas pelo avanço das ferramentas digitais de última geração.

“No caso das armas nucleares, ninguém nunca achou que a bomba podia se autoexplodir e acabar com o mundo, sempre a questão foi como desentendimentos poderiam criar destruição mútua.

Agora, no caso da inteligência artificial, existe essa tese de que ela estaria caminhando para poder adquirir uma capacidade e talvez até uma intencionalidade orientada à destruição da humanidade”.

Infográfico compara a ameaça nuclear, dependente de comando, ao risco de sistemas de IA capazes de agir de forma autônoma. – Crédito: Imagem gerada por IA A consequência prática dessa reclassificação é a mudança nos burocratas encarregados das negociações.

A pauta saiu das mãos dos ministérios de ciência e tecnologia para ser gerida por ministros da defesa, chefes de inteligência e diplomatas de alto escalão.

Essa transição altera profundamente a natureza dos acordos entre as grandes potências.

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