Rastro pegajoso persegue pose de limpinho de Flávio Bolsonaro
Campanha eleitoral é uma sucessão de poses. Candidatos fazem pose até para o espelho, ao escovar os dentes. Por trás da pose não há verdades absolutas. Há apenas mentiras ou meias-verdades mal investigadas. No momento, a grande pose de Flávio Bolsonaro é o seu pendor antivorcariano — uma virtude cada vez mais difícil de ser encenada.
A penúltima descoberta sobre a pose é que ela usou um apartamento que pertenceu a Fabiano Zettel, cunhado e operador de Daniel Vorcaro. Fica num bairro chique de São Paulo, a cinco minutos de carro do comitê de campanha do PL. Reportagem da revista Piauí revela que o filho de Bolsonaro usufruiu do imóvel no mês passado para reuniões e gravações. Moradores confirmaram sua presença.
O apartamento foi comprado pelo cunhado de Vorcaro em abril de 2025 por R$ 5,5 milhões. Dez meses depois, foi vendido por R$ 3,5 milhões a uma empresa do advogado Willer Tomaz, amigo do peito de Flávio Bolsonaro. Zettel foi generoso: perdeu R$ 2 milhões da transação. Foi também ardiloso, pois realizou a venda depois que o Supremo havia bloqueado os seus bens. A transação foi formalizada no mesmo dia da prisão do operador de Vorcaro.
Sob ordens de Vorcaro, era Zettel quem providenciava a liberação do dinheiro mordido por Flávio Bolsonaro a pretexto de financiar o filme Dark Horse. O advogado Willer Tomaz não é investigado no caso Master. Mas frequenta o inquérito sobre o assalto aos velhinhos do INSS.
Willer Tomaz ressurge num instante em que o amigo Flávio Bolsonaro se exibe aos eleitores estalando de pureza moral. A pose de limpinho imprime na conjuntura um rastro pegajoso. Por trás da pose pode haver novas surpresas. Recolhido numa batida de busca e apreensão, o celular do doutor Willer é perscrutado pela PF.
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