Por que insistimos em comprar ações na alta?
Na semana passada estava em uma aula de gestão de investimentos, para a graduação, cujo tema era renda variável.
Nesse tópico, além de falar sobre o que é uma ação, tributação e outras características, também abordo o comportamento de retorno e risco e aproveito para contrastar com os ativos de renda fixa.
Para exemplificar a diferença de comportamento entre as ações e a renda fixa, apresentei um gráfico com a rentabilidade acumulada da Petrobrás e do CDI, que consideramos como uma proxy do nosso ativo livre de risco.
Aproveitando o excelente ano de Petrobras, cuja rentabilidade alcança quase 100%, projetei os dados para o período e comparei com os cerca de 11% do CDI, sem volatilidade.
Para além da rentabilidade, a proposta era comparar o risco dos ativos e avançar na discussão sobre o perfil de cada classe de ativos e como utilizá-las para compor uma carteira de investimentos.
Estava interagindo com a turma, promovendo um debate sobre o tema, quando uma aluna fez a pergunta inescapável, qual seja, se o momento era bom para comprar Petrobras.
De outra forma, se apesar do forte crescimento verificado após o início do conflito entre EUA e Irã, no final de fevereiro, ainda existiria espaço para uma valorização adicional.
Impressiona a força que o retorno passado exerce sobre nós investidores.
Como de costume, tentando provocar uma reflexão mais profunda, voltei com outra pergunta sobre quais seus objetivos de investimento.
É bastante conhecido entre acadêmicos e profissionais de mercado o comportamento típico de muitos investidores que compram ações em períodos de forte valorização, ou seja, já entram no mercado com preços elevados, e depois ao verem os preços cederem, correm para vender por medo de amargar um prejuízo ainda maior.
Não é difícil de entender a cabeça do investidor nestas horas.
A conclusão natural ao ver a forte valorização de uma ação é que se trata de um bom ativo e, portanto, vale a pena ser comprado.
Contudo, parece que todos pensam da mesma forma levando a pressão compradora a “esticar” demais o preço, fazendo com que a ação se torne cara.
Os preços podem descolar dos fundamentos de uma empresa por um determinado período, mas os profissionais estão de olho nessas assimetrias e ao percebê-las iniciam o processo de venda forçando os preços em direção ao seu valor justo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.