Ministério Público mantém arquivamento de processo de gestor contra Vorcaro
O Ministério Público de São Paulo manteve o arquivamento de um inquérito aberto a pedido do gestor Vladimir Timerman contra Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Timerman, da gestora Esh Capital, acusava Vorcaro de denunciação caluniosa —crime de acusar alguém sabendo que a pessoa é inocente. A decisão, obtida pelo UOL , foi assinada na última sexta pelo procurador-geral Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.
O caso começou em maio de 2023, quando Timerman levou ao MPF (Ministério Público Federal) suspeitas de irregularidades em operações de instituições do mercado financeiro.
Em outubro de 2024, Vorcaro e o Banco Master apresentaram uma queixa-crime contra Timerman por calúnia e difamação. Alegaram que a comunicação ao MPF atribuía a eles crimes contra o sistema financeiro.
A Justiça de São Paulo rejeitou a queixa. Entendeu que Timerman apenas pediu a apuração de possíveis ilícitos, o que é um direito. O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) manteve a decisão.
Depois disso, Timerman pediu a abertura do inquérito contra Vorcaro. Afirmou que o banqueiro acionou a Justiça para intimidá-lo, sabendo que as informações levadas às autoridades eram verdadeiras.
A promotora responsável pediu o arquivamento. Para ela, a rejeição da queixa não reconheceu que as suspeitas levantadas por Timerman eram verdadeiras, apenas que ele não cometeu crime contra a honra.
Timerman recorreu à chefia do Ministério Público. Citou elementos da Operação Compliance Zero que indicariam intimidação e possível acesso irregular e antecipado ao procedimento sigiloso aberto a partir de sua comunicação.
O procurador-geral concluiu que as conversas apresentadas não mostram que Vorcaro sabia da inocência de Timerman quando entrou com a queixa-crime, o que caracterizaria o dolo.
Segundo ele, o fracasso da queixa-crime "não permite, sem outros elementos, qualificá-la como conscientemente falsa". O procurador-geral também negou novas diligências sobre o suposto acesso antecipado à investigação sigilosa.
Para ele, esse ponto, mesmo que esclarecido, não provaria por si só que Vorcaro sabia da inocência do gestor. O inquérito pode ser reaberto caso surjam novas provas, diz o MP-SP.
Mensagens de Vorcaro obtidas pela PF (Polícia Federal) na Operação Compliance Zero mencionam Timerman. Em dezembro de 2023, o banqueiro repassou a Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, uma publicação do gestor em rede social.
Mourão integrava "A Turma" , grupo que, segundo a PF, obtinha dados de pessoas e de inquéritos e buscava intimidar pessoas a mando de Vorcaro, segundo a PF. Ele morreu em março .
Mourão perguntou quem era o autor da publicação. Vorcaro respondeu com o nome de Timerman e escreveu: "Tenta extorquir há tempos". Mourão disse que ia "pedir pra puxar".
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