Antártida começa promissor e desanda rapidamente
A produção Antártida , dirigida por Bruno Safadi e escrita por Claudia Jouvin, chega aos cinemas em 17 de setembro de 2026 com uma estrutura de suspense ambientada em uma estação brasileira de pesquisa no continente gelado.
Na trama, a cientista Inês, interpretada por Marina Ruy Barbosa, sofre uma violência na primeira noite do inverno, enquanto a subcomandante Elisabeth, vivida por Andrea Beltrão, conduz a investigação em meio ao isolamento da base.
Produzido pelos Estúdios Globo, o longa aposta em uma estrutura de grande produção e reúne nomes como Lázaro Ramos, Leandra Leal, Antonio Calloni e João Vitor Silva.
Uma produção que impressiona mas não se sustenta É justamente no aspecto mais visível que Antártida encontra seus melhores argumentos.
A produção tem escala, boa ambientação e uma sensação de investimento compatível com a proposta de um suspense de grande público.
A estação isolada funciona visualmente e cria um espaço interessante para a história, enquanto o elenco consegue manter o filme de pé mesmo quando o roteiro começa a perder força.
Andrea Beltrão concentra as cenas mais importantes e recebe o arco mais consistente, fazendo de Elisabeth a personagem que realmente conduz a narrativa.
João Vitor Silva também encontra bons momentos, enquanto Lázaro Ramos, Antonio Calloni e os demais atores aparecem de maneira mais pontual.
Lázaro, porém, é colocado em uma posição particularmente problemática pelo roteiro: seu personagem é construído como um vilão praticamente unidimensional, de atitudes terríveis, e depois a narrativa ainda tenta conduzi-lo a uma espécie de redenção, mesmo que parcial.
A mudança não encontra sustentação suficiente e acaba parecendo mais uma tentativa de suavizar o personagem do que uma transformação.
Já Leandra Leal acaba sendo ainda mais prejudicada por uma personagem pouco desenvolvida, que oferece à atriz menos possibilidades do que seu talento permitiria.
Quando a vítima deixa de ser o centro O principal problema surge justamente a partir do acontecimento que deveria organizar todo o filme.
A violência sofrida por Inês coloca a personagem no centro do conflito, mas o roteiro gradualmente deixa de aprofundar sua experiência para concentrar a narrativa na investigação e nas relações entre os demais personagens.
Marina Ruy Barbosa tem pouco espaço para transformar a vítima em alguém com contradições, desejos e personalidade própria, e Inês acaba se aproximando de uma representação mais estereotipada da mulher violentada.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.