Rochas de até 3,6 bilhões de anos sobreviveram numa cadeia montanhosa e preservam pistas de oceanos sem oxigênio, meteoritos e algumas das lavas mais quentes da Terra
Formação geológica na África do Sul guarda registros de oceanos sem oxigênio e lavas extremas da Terra jovem.
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Nas Barberton Makhonjwa Mountains , formações geológicas excepcionais preservam dados valiosos sobre a física e a química do planeta jovem. Essa estrutura na África do Sul mantém registros de antigas erupções vulcânicas e impactos de meteoritos do Arqueano.
A região abriga uma sequência de rochas vulcânicas e sedimentares excepcionalmente bem preservadas ao longo de bilhões de anos. Essas camadas rochosas não sofreram grandes alterações metamórficas ou tectônicas, o que permitiu a conservação intacta de minerais originais com idade estimada entre 3,6 e 3,25 bilhões de anos .
Nesse contexto, pesquisadores analisam as estruturas sedimentares para compreender a evolução da crosta terrestre continental primitiva. De acordo com informações documentadas na geologia planetária, tais formações representam uma janela científica única para o período exato em que a vida microscópica começava a emergir no planeta.
A seguir, veja os fatores que tornam esse local um registro geológico singular:
As rochas vulcânicas conhecidas tecnicamente como komatiítos indicam erupções profundas com temperaturas registradas superiores a 1.600 °C . Essa temperatura extrema reflete o manto terrestre primitivo, que era significativamente mais quente devido ao calor residual da formação do planeta e à maior concentração de elementos radioativos.
Consequentemente, essas lavas ultramáficas fluíam com altíssima mobilidade e velocidade pela superfície terrestre antiga. Segundo estudos geofísicos compilados pela United States Geological Survey , o resfriamento rápido dessas erupções gerou estruturas cristalinas características que não se formam mais no vulcanismo moderno.
Na tabela abaixo, veja a comparação entre o vulcanismo antigo e o moderno:
As formações rochosas da região contêm densas deposições de ferro bandado que revelam o ambiente químico marinho da época. A ausência de oxigênio livre na atmosfera e na coluna d’água permitia a dissolução de grandes volumes de ferro nos oceanos primordiais durante o Éon Arqueano .
Além disso, a análise detalhada de isótopos de enxofre em sedimentos marinhos confirma um cenário químico essencialmente redutor. Esses dados empíricos indicam que a fotossíntese oxigênica em escala global ainda não havia alterado a composição da atmosfera e dos mares terrestres.
Camadas de esferulitas encontradas nesses sedimentos atestam múltiplos impactos asteroideus de grande escala na Terra antiga. O calor extremo gerado por esses eventos cósmicos evaporou partes dos oceanos e vaporizou rochas, cujas gotículas condensadas posteriormente se depositaram em toda a superfície.
Por outro lado, essas colisões brutais alteraram temporariamente o clima global e a química dos oceanos primitivos. O estudo contínuo dessas camadas auxilia a compreender como o planeta Terra resistiu a bombardeios cósmicos intensos sem perder a sua capacidade biológica de abrigar vida.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.