O Brasil precisa guardar as chaves de sua vida digital
Entre 31 de agosto e 3 de setembro, senadores e deputados voltam a Brasília para o último esforço concentrado antes que a campanha eleitoral transfira a política dos plenários para as ruas.
Em meio a propostas de apelo eleitoral imediato, uma decisão menos ruidosa vai definir o lugar do Brasil na economia mundial pelas próximas décadas, e o Senado não tem mais margem para adiá-la.
Trata-se do Projeto de Lei 278/2026, que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata.
Aprovado pela Câmara em fevereiro, o texto chegou ao Senado e ficou parado seis meses.
Na quinta-feira, 27 de agosto, ainda não tinha relator nem havia passado pelas comissões.
Um requerimento de líderes tenta levá-lo direto ao plenário.
É o caminho certo, e o Senado precisa segui-lo sem mais rodeios.
O atraso já cobra seu preço O calendário oferece ao Senado uma janela estreita, e o custo da indecisão não é abstrato: aparece em contratos assinados em outro país, em máquinas instaladas em outro continente, em pesquisadores contratados por economias que já entenderam o valor estratégico da infraestrutura digital.
O capital global dedicado a centros de processamento avança em velocidade muito superior ao ritmo das burocracias nacionais.
Cada mês de indefinição desloca máquinas, contratos, pesquisadores e capacidade computacional para outro endereço, e essa perda não se recupera com um decreto posterior.
Ontem, escutei do deputado Aguinaldo Ribeiro uma advertência que resume com precisão o risco diante do país: se o Brasil não acompanhar desde agora a expansão da inteligência artificial e da internet das coisas, será novamente ultrapassado na construção dessa infraestrutura.
Concordo sem reservas com o presidente da Câmara, Hugo Motta, quando defende o Redata como instrumento para destravar investimentos, gerar empregos e atrair empresas nacionais e estrangeiras.
José Guimarães, autor da proposta, definiu esse movimento como uma “janela de oportunidade de negócios”, e a definição é exata: janelas tecnológicas permanecem abertas por pouco tempo.
Quando a disputa envolve bilhões de dólares, conhecimento e capacidade computacional, cada semana de demora legislativa entrega vantagem a países que já se prepararam para recebê-los.
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