Mortes: Sua dedicação à cultura popular transbordou gerações
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Quando a quadrilha junina Rosa Linda entra no arraiá, celebra as tradições nordestinas e o sonho de uma mulher. O grupo foi fundado por Elvira Gusmão, que em 1976 resolveu comemorar seu aniversário com uma apresentação.
A brincadeira de quintal, que iniciou com seus familiares, cresceu e passou a ser de toda uma comunidade de Paudalho (PE). Lá se foram 50 anos, o que rendeu o título de mais antiga de Pernambuco .
Foram muitas histórias. Certa vez, ela vendeu uma geladeira para que o espetáculo pudesse ir à rua.
Dizia que a quadrilha era como uma filha e não media esforços para manter suas atividades. Criava os figurinos e costurava, ditava as regras para sair tudo organizado e aprovava as coreografias. "Era voz ativa e decisiva. Valores morais eram ensinados e laços eram construídos", afirma o filho Bugo Gusmão, 50, atual presidente da quadrilha, que estava na barriga da mãe quando foi criada.
Nascida no dia 20 de maio de 1940, Elvira do Nascimento Gusmão dizia ser natural de Glória do Goitá (PE), mas em seu registro consta Paudalho, onde viveu quase toda a vida.
Foi também em uma festa junina que conheceu José Gusmão, com quem se casou em 1962 e teve seus nove filhos.
Junto com o marido, cuidava do pequeno comércio de alimentos e miudezas que mantinham em casa. Também costurava roupas e fazia artesanatos.
"A confecção de peças em cochicho, toalhas e lençóis de retalho era o seu passatempo preferido. Agulha, linha, máquina de costura e tecidos estavam sempre por perto", diz a filha Goreth Gusmão, 62.
Defensora da educação, mesmo analfabeta, estimulou os filhos a estudarem e formaram-se professores. E foi pela Educação de Jovens e Adultos que realizou um de seus grandes desejos, aprendeu a ler e escrever. Passou a ter orgulho de assinar o nome.
Era católica , devota de Mãe Rainha e Nossa Senhora da Conceição, e fã de Luiz Gonzaga .
A mestra de cultura popular, além da quadrilha junina, também presidiu a Escola Gigante do Samba. Seu nome foi homenageado em editais públicos e no ciclo de festas da cidade.
Morreu no dia 11 de junho, aos 86 anos, vítima de uma parada cardíaca sofrida após dias de internação por conta de uma queda que fraturou o fêmur.
Deixa oito filhos: Maria Auxiliadora, 63, Maria Goreth, 62, Maria Ladjane, 61, Maria Sagres, 57, Maria Jocea, 54, José Winderbug, 49, Maria Claudjane, 47, José Alampark, 45. Também ficam dois filhos adotivos, Laudicéia e Júlio, além de 18 netos e 9 bisnetos.
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