Sarampo volta a matar nos EUA e confiança em vacina cai
O surto de sarampo nos EUA já supera 3.000 casos confirmados em 2026, o maior número em 35 anos, em meio à queda na confiança nas vacinas infantis. Pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 1.143 adultos americanos e tem margem de erro de três pontos percentuais.
Pensilvânia, Utah e Carolina do Sul enfrentam surtos da doença. A Pensilvânia informou três mortes relacionadas ao sarampo, sendo a mais recente registrada após duas mortes anunciadas no mês passado.
O sarampo provoca febre, manchas na pele e sintomas respiratórios, além de se espalhar com rapidez. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, tem eficácia de 97% após duas doses.
A maioria dos americanos ainda considera segura a vacinação infantil contra sarampo, caxumba e rubéola. Esse grupo representa 76% dos entrevistados, abaixo dos 84% registrados em maio de 2020.
A redução da confiança foi mais acentuada entre os republicanos, aponta a pesquisa. Em agosto, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para reduzir de dezessete para onze o número de imunizações recomendadas no calendário federal infantil.
Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde, busca rever a política nacional de vacinação infantil. Antes de assumir o cargo, ele atuava como ativista antivacina e, após as mortes na Pensilvânia, repetiu alegações já desmentidas sobre a tríplice viral.
A cobertura da tríplice viral entre crianças no jardim de infância caiu para 92,5% no último ano. O índice fica abaixo dos 95% necessários para manter a imunidade coletiva, que reduz a circulação do vírus na comunidade.
A atuação de Trump diante do surto é aprovada por 19% dos entrevistados e reprovada por 52%. O presidente fez poucas declarações públicas sobre a crise, enquanto os EUA correm o risco de perder o status de país que eliminou o sarampo por causa da transmissão interna contínua.
Eleitores registrados apontaram os democratas como mais preparados para lidar com doenças infecciosas. A preferência foi de 45% pelos democratas e 25% pelos republicanos, embora 58% tenham citado o custo de vida como preocupação principal, ante 31% que demonstraram grande preocupação com o sarampo.
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