Metade das vendas do atacado da região da 44 já acontecem na internet; lojas disputam cliente com Shein e Shopee
O polo movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano e reúne aproximadamente 13 mil pontos de venda e 2,6 mil feirantes, segundo estimativas da entidade. Seis representantes do comércio e da indústria ouvidos pelo Mais Goiás mostram que a nova fronteira dessa disputa está na tela do celular — e que digitalizar a venda não elimina as diferenças de escala, tributação e custos entre uma empresa instalada no Brasil e uma plataforma global.
A dimensão econômica ultrapassa as lojas. Dados divulgados pelo Governo de Goiás apontam comercialização de aproximadamente 280 milhões de peças produzidas em 30 municípios goianos e 50 mil empregos diretos ligados ao polo, além de 160 mil indiretos. O fluxo supera 260 mil visitantes por semana e abastece compradores de todas as regiões brasileiras.
No atacado da 44, cerca de 50% das vendas são originadas ou concluídas por relacionamento digital direto, principalmente aplicativos de mensagens, segundo a AER-44. Outros 5% passam por marketplaces e aproximadamente 45% permanecem presenciais, sobretudo nas compras realizadas por caravanas e clientes que viajam até Goiânia. No varejo, a dinâmica muda: mais de 80% das vendas ainda ocorrem presencialmente.
A digitalização, entretanto, não impediu a pressão sobre preços. Levantamentos internos da AER-44 realizados em maio, junho e julho indicam que empresários reduziram entre 3% e 10% os valores finais em diferentes segmentos para preservar competitividade, segundo a entidade. Naves afirma que o primeiro efeito pode aparecer menos no faturamento e mais na margem de lucro.
A digitalização também avança dentro dos centros comerciais da Região da 44. No Shopping Gallo, que reúne 300 lojas e recebe aproximadamente 290 mil pessoas por mês, 60% das vendas ainda ocorrem nas lojas físicas e 40% pelos canais digitais, segundo o superintendente Chrystiano Câmara. Em algumas operações, a divisão já chega a 50% para cada modalidade. O dado mostra que a concorrência com as plataformas internacionais ocorre cada vez mais no mesmo ambiente em que os comerciantes goianos passaram a buscar seus clientes.
A transformação do canal de venda, porém, não retirou o peso da produção local. Câmara estima que cerca de 80% das operações do Gallo comercializem produtos fabricados em Goiás. “A roupa tem uma experiência com o comprador. Ele toca no tecido, vê o nível da costura, prova a peça”, afirma. Segundo ele, os lojistas têm investido em qualidade e preço para disputar mercado com os importados.
Paula Sepúlveda, gerente de Marketing do Mega Moda, cita ainda o Telemoda, serviço que conecta compradores diretamente aos lojistas dos três empreendimentos do grupo. Na avaliação dela, moda feminina, acessórios, fitness, peças básicas e fast fashion estão entre os segmentos mais expostos às plataformas internacionais, principalmente pela facilidade de comparação de preços, tendências e variedade.
“O consumidor deve ter acesso a preços competitivos e variedade, mas é fundamental que exista isonomia nas regras”, afirma Sepúlveda.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.maisgoias.com.br — o conteúdo pertence a Mais Goiás.