Mercado de apostas corre risco de cair na ilegalidade no Brasil, às vésperas da eleição
Lula assina projeto de lei no Palácio do Planalto - Ricardo Stuckert / PR
Faltando menos de 20 dias para o primeiro turno da eleição de 2026, o mercado de apostas corre o risco de retornar à ilegalidade no Brasil.
O caos se instalou no setor na noite desta quarta-feira (16), depois que o portal UOL publicou a notícia de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , que disputa a reeleição, estaria preparando uma Medida Provisória (MP) com a finalidade de proibir jogos on-line como Tigrinho e Aviãozinho e ainda restringir as apostas esportivas .
A Máquina do Esporte apurou, junto a fontes ligadas ao segmento, que há dias o governo vinha dando indícios de que pretendia endurecer as regras do mercado, sob o argumento de combater a ludopatia, nome pelo qual é conhecida a dependência em jogos de azar, e o endividamento das famílias de menor renda.
Nos últimos tempos, Lula resolveu subir o tom contra as bets, dando sinais de que esse assunto ganharia destaque na campanha eleitoral deste ano.
No decorrer das semanas, porém, o noticiário político acabou sendo dominado pelo escândalo do Banco Master e os indícios de envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o banqueiro Daniel Vorcaro .
Foi então que, nesta semana, um dia após sessão pública de lavação de roupa suja entre os membros da Suprema Corte, Lula resolveu trazer o tema “apostas” de volta à baila, numa entrevista ao podcast Desce a Letra Show, no qual fez a mais dura declaração sobre essa questão, desde que tomou posse para seu terceiro mandato presidencial.
“Você lembra quando surgiu o crack? O cara viciado, ele chegava em casa, vendia o botijão. A bets tá assim. As pessoas estão vendendo o que não têm, se endividando”, declarou o presidente.
Conforme a Máquina do Esporte já havia adiantado, para além das questões de ordem técnica e social, as declarações e ações de Lula envolvendo o mercado de apostas representam também um aceno ao eleitorado conservador, especialmente o evangélico, que tende a possuir uma visão negativa em relação às bets.
Foi para não desagradar esse público que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) optou por não sancionar a lei que regulamentaria o mercado de apostas no Brasil, em 2022, deixando o prazo vencer e mantendo o setor no limbo jurídico.
Fontes ligadas ao setor de apostas acreditam que a medida serve para retirar o foco da crise do STF, num momento em que Lula enfrenta dificuldades em algumas pesquisas eleitorais.
A análise é de que essa postura propicia ao presidente uma espécie de “inimigo” contra o qual ele pode mobilizar não apenas suas bases eleitorais, mas outros segmentos da sociedade, que nos últimos anos têm se mostrado refratários ao petismo.
E aqui não falamos apenas dos eleitores evangélicos ou católicos mais conservadores, mas de setores econômicos que se consideram prejudicados pelas bets.
Em tempos recentes, segmentos como varejo e supermercados alegam que as apostas e jogos on-line estariam drenando 20% da renda dos consumidores, resultando em prejuízo de mais de R$ 140 milhões ao ano.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em maquinadoesporte.com.br — o conteúdo pertence a Máquina do Esporte.