Por que São Paulo fechou com a Ticketmaster e como são as propostas
O São Paulo, em processo de concorrência interno, aprovou a Ticketmaster para substituir a Total Acesso como ticketeira do clube no final do ano. O contrato prevê antecipação de R$ 140 milhões em receitas, e ainda precisa ser aprovado no Conselho de Administração e, na sequência, no Conselho Deliberativo.
Esse processo acontece em meio ao momento político turbulento do clube do Morumbi - internamente, conselheiros têm levantado questionamentos sobre a escolha, com uma das versões dizendo que o São Paulo teria recusado uma oferta de R$ 500 milhões da NewC, segunda colocada na concorrência.
O UOL apurou números e bases das duas principais propostas recebidas pelo São Paulo. No centro da discussão, além dos valores, prazos e condições das receitas antecipadas, estão também os modelos de negócios e uma questão importante envolvendo cessão de direitos sobre o estádio do Morumbis.
A proposta da Ticketmaster foi a aprovada na concorrência e a que será levada a votação pelo Conselho de Administração no início da próxima semana. Ela envolve a cessão à empresa da exploração de bilheteria, camarote e a gestão do programa de sócio-torcedor pelo prazo de cinco anos.
A Ticketmaster se comprometeu a antecipar, com capital próprio, R$ 110 milhões de receitas futuras de bilheteria e sócio-torcedor ao São Paulo dentro do prazo de 45 dias. Também pagará R$ 30 milhões pelo uso de um camarote do estádio pelos cinco anos.
Sobre essa antecipação, o São Paulo pagará juros calculados em cima do CDI (hoje em torno de 14%) + 1,99% ao ano.
A empresa ainda topou investir mais R$ 6 milhões para reformar o Museu São Paulino no estádio.
A segunda colocada no processo de concorrência conduzido no São Paulo foi a dinamarquesa NewC. Também foi proposta uma antecipação de receitas de R$ 90 milhões, mas com recursos que ainda seriam captados via um fundo de investimento. Os juros eram maiores, podendo chegar a CDI (em torno de 14%) + até 5,5% ao ano. Pelo uso de um camarote, a empresa pagaria R$ 13 milhões.
Depois do processo de concorrência, entretanto, a NewC apresentou outra ideia ao São Paulo. Nela que estão os R$ 500 milhões.
Em parceria com outra empresa chamada Angá, esse projeto previa a criação de um fundo para quitação da divida bancária do São Paulo. A ideia seria captar, por meio desse fundo, até R$ 500 milhões. O São Paulo pagaria em até 10 anos, com juros de CDI 3,5% ao ano.
Na prática, se deixasse de cumprir suas obrigações dentro do acordo por problemas financeiros ou outras questões, o São Paulo correria risco de perder o controle sobre a gestão e uso do estádio.
Envolver em uma negociação direitos sobre o Morumbis é uma questão sensível para diferentes correntes políticas dentro do São Paulo. A NewC ainda foi representada em conversas com o clube por uma empresa intermediária, a Luarenas.
A Luarenas faz gestão de arenas esportivas e operou, por anos, a Arena Independência, em Minas Gerais.
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