Justiça identifica tentativa de manipular IA, mas mantém absolvição em MS
A 5ª Turma do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) manteve a absolvição de quatro acusados de estelionato em Campo Grande, mesmo após identificar comandos ocultos em documentos da defesa que tentavam manipular a ferramenta de inteligência artificial utilizada pelo Judiciário.
Em decisão de 16 de outubro, o desembargador federal Paulo Gustavo Guedes Fontes concluiu que os mecanismos de segurança do sistema impediram a interferência e que a tentativa não alterou o julgamento nem a tramitação deste processo específico, que teve como réu o conhecido estelionatário Selmo Machado da Silva , preso pela invasão hacker de sistemas do Judiciário em outros procedimentos.
Além de Selmo, o caso envolve Marcos Recaldes Aveiro, Sidney Machado da Silva e Diego Guilherme Rodrigues, acusados pelo MPF (Ministério Público Federal) de participar de uma fraude com cheque no valor de R$ 178.569,67, em março de 2014.
A Justiça Federal absolveu os quatro por insuficiência de provas, e o tribunal manteve a decisão ao rejeitar um recurso da acusação.
A tentativa de manipulação da decisão veio à tona por iniciativa da própria defesa.
O advogado Matheus Pelzl Ferreira informou ao tribunal que identificou uma falha de controle interno no escritório, envolvendo a inserção de comandos ocultos em modelos de documentos utilizados nos processos.
Matheus já falou ao Campo Grande News sobre isso aqui e aqui .
Segundo a comunicação apresentada à Justiça, um colaborador teria incluído as instruções sem autorização dos sócios.
Como o escritório utilizava os mesmos modelos em diferentes ações, os comandos acabaram reproduzidos automaticamente em outras peças processuais.
A técnica é conhecida como prompt injection, ou injeção de comandos.
Ela consiste em inserir instruções em conteúdos que serão analisados por sistemas de inteligência artificial, na tentativa de fazer com que a ferramenta desconsidere suas regras originais e execute determinadas orientações.
No caso analisado pelo TRF3, os comandos buscavam interferir na atuação da ferramenta de IA especialmente na avaliação de questões relacionadas à admissibilidade processual.
A SETI (Secretaria de Tecnologia da Informação) do tribunal examinou os documentos e confirmou a presença das instruções ocultas em embargos, alegações finais e um pedido de acesso à cópia integral de conteúdo de mídia digital.
A análise técnica, entretanto, concluiu que as proteções implementadas no sistema impediram a alteração das instruções de funcionamento da inteligência artificial.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.