O animal que consegue respirar ar e permanecer longos períodos enterrado na lama durante épocas de seca
Durante a estiagem, esse peixe africano forma um casulo na lama e reduz drasticamente o metabolismo enquanto continua respirando ar
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Quando rios, lagos temporários e áreas alagadas africanas começam a secar, alguns peixes enfrentam uma condição que seria fatal para a maioria das espécies aquáticas. O peixe-pulmonado africano consegue sobreviver enterrado na lama durante a estiagem , formando um casulo de muco e reduzindo drasticamente seu metabolismo enquanto continua obtendo oxigênio principalmente por pulmões especializados. A ideia de que ele depende parcialmente da pele para respirar nesse período é uma simplificação, porque a respiração pulmonar é a principal adaptação durante a estivação.
Espécies do gênero Protopterus vivem em ambientes africanos sujeitos a fortes variações sazonais. Quando a água começa a desaparecer, o peixe escava a lama e se posiciona dentro de uma cavidade, onde passa de uma vida aquática ativa para um estado de dormência conhecido como estivação.
Esse comportamento permite atravessar meses de seca sem precisar abandonar completamente o local. Em condições extremas, estudos indicam que alguns peixes-pulmonados africanos podem permanecer em estivação por períodos muito prolongados, chegando a anos em condições experimentais ou excepcionais.
Antes de entrar completamente em dormência, o animal produz grande quantidade de muco, que seca ao redor do corpo e forma uma espécie de casulo protetor. Uma pequena abertura permanece conectada ao exterior, permitindo a passagem de ar até a região da boca e, posteriormente, aos pulmões.
Durante essa fase, as brânquias perdem grande parte de sua função respiratória, enquanto os pulmões ficam mais vascularizados e passam a assumir praticamente toda a troca gasosa. A pele também sofre alterações estruturais, mas não é correto descrevê-la como a principal responsável por manter o animal respirando durante a seca.
Este vídeo da National Geographic mostra como o peixe-pulmonado africano enfrenta a transformação de seu ambiente durante a estação seca.
O organismo entra em um estado de economia extrema. A atividade locomotora praticamente desaparece, a alimentação é interrompida e diversas funções fisiológicas são reduzidas. Isso diminui a necessidade de energia e permite que reservas corporais sustentem o animal até a volta da água.
Até órgãos que funcionam normalmente durante a vida aquática mudam de comportamento. Pesquisas mostram que as lamelas das brânquias podem ficar recobertas por muco e praticamente deixar de participar das trocas gasosas, enquanto alterações metabólicas e renais ajudam o peixe a lidar com resíduos produzidos durante a longa dormência.
Não. Embora fique enterrado e envolvido pelo casulo, ele ainda depende do contato com o ar atmosférico. O canal que permanece aberto até a superfície é essencial, porque os peixes-pulmonados africanos são respiradores aéreos obrigatórios e podem até se afogar se forem impedidos de chegar ao ar por tempo suficiente.
Essa característica mostra como a estivação é diferente de simplesmente “prender a respiração”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.